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ATUALIZADA - Ministério Público denuncia 5 acusados de chacina em MT

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FABIANO MAISONNAVE

MANAUS, AM (FOLHAPRESS) - O Ministério Público Estadual de Mato Grosso formalizou nesta segunda-feira (15) denúncia contra um madeireiro e quatro outros homens acusados de terem planejado e executado a chacina que matou nove posseiros e trabalhadores rurais em Colniza, no noroeste de Mato Grosso.

Os cinco são acusados de formação de milícia privada conhecida como "encapuzados" e homicídio qualificado. A motivação do crime, cometido em 19 de abril, seria extrair madeira e se apossar da área em disputa.

Apontado como mandante, Valdelir João de Souza, o "Polaco Marceneiro", é dono de duas madeireiras e reside em Machadinho D'Oeste (RO), a cerca de 230 km de terra da agrovila Taquaruçu do Norte, região da chacina. Ele está foragido.

Souza tem uma área de manejo florestal vizinha à área tomada pelos posseiros, que ocupa cerca de 20 mil hectares divididos entre 120 famílias. Apenas uma área, de cerca de 3.600 hectares, seria do interesse de Souza.

As duas empresas de Souza, Cedroarana, com sede em Machadinho, e G.A. Indústria, Comércio e Exportação de Madeiras, no distrito de Guariba, em Colniza, têm um longo histórico de problemas com o Ibama, segundo levantamento feito a pedido da reportagem.

Desde 2007, foram aplicadas dez multas por irregularidades, num total de R$ 898,8 mil. Porém apenas a menor delas, de R$ 2.500, foi paga até agora.

Na lista do denunciados, aparece também o ex-PM de Rondônia Moisés Ferreira de Souza, que tem um mandado de prisão por suposta participação na morte de dois sem-terra em Cujubim (RO), em janeiro do ano passado. Ele também está foragido.

Até agora, apenas dois dos cinco acusados estão presos. Segundo a denúncia, o empresário conseguiu fugir de uma campana policial feita na sua casa, em 30 de abril.

A chacina de Colniza foi o episódio mais grave de violência no campo desde 1996, quando 19 sem-terra foram mortos no massacre de Eldorado do Carajás (PA).

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