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Delcídio negociou caixa dois 'na sauna' e 'sem roupa', diz Santana

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PAULO GAMA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Preso por ter sido gravado tentando impedir a delação de Nestor Cerveró em 2015, Delcídio do Amaral se mostrava mais cauteloso com a possibilidade de grampos em 2002, quando negociou caixa dois para sua campanha ao Senado.

O marqueteiro João Santana disse em acordo de delação premiada que negociou os pagamentos por fora com ele na sauna e "sem roupa" -talvez por receio do ex-petista de estar sendo gravado.

Era a primeira vez que os dois se encontravam. À beira da piscina, estavam começando as tratativas sobre a candidatura ao Senado de Delcídio, então secretário do governo de Mato Grosso do Sul.

"A partir de determinado momento da conversa, ele perguntou se eu gostava de sauna. Eu disse que sim, normal. 'Então vamos tomar sauna'. Foi aí que ele, quando estávamos só nós dois, claramente protegidos, sem roupa -talvez tivesse receio que eu poderia ter alguma coisa, estar gravando- ele começou a conversa."

Santana relatou o fato como "inusitado" e "curioso".

Os integrantes do Ministério Público que conduziam o depoimento deram corda.

"Essa hora que o sr. estava na beira da piscina. Não, que o sr. estava na mesa... o sr. já estava de traje de piscina, essas coisas?"

"Não, não, trocamos...", respondeu Santana.

O interrogador dá sequência: "Trocou para ir para a sauna...?".

"É, para ir para a sauna."

Lá, protegidos, -segue Santana- Delcídio perguntou se poderia pagar parte dos custos da campanha no exterior. Santana, então, como de costume, diz que sua mulher e sócia trataria das questões financeiras em outro momento.

O valor acertado foi de R$ 4 milhões -R$ 2 milhões dele por fora.

Treze anos depois, em 2015, a falta de cuidado semelhante acabou levando Delcídio para a cadeia: ele foi gravado pelo filho de Nestor Cerveró expondo um esquema para impedir que o ex-diretor da Petrobras fizesse uma delação premiada.

Na conversa, manifestou intenção de fazer com que Cerveró fugisse para a Espanha. Ofereceu uma mesada de R$ 50 mil para que ele não fizesse delação. O Supremo decretou sua prisão por obstrução da Justiça.

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