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Alckmin diz concordar com FHC sobre Doria e Huck encarnarem 'o novo'

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IGOR GIELOW

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou estar "plenamente de acordo com o presidente Fernando Henrique Cardoso", que classificou em entrevista à Folha de S.Paulo o prefeito paulistano, João Doria (PSDB), e o apresentador Luciano Huck (sem partido) como "o novo" na política.

"É ótimo a gente ter novos nomes jovens participando de vida pública. A pior política é a omissão, então nós temos de estimular que as pessoas participem da vida pública, não se omitam", disse o tucano, após evento no Palácio dos Bandeirantes.

A saída pela tangente do tucano é parte do balé em que estão inseridas as principais lideranças do PSDB, partido que foi o grande vencedor da eleição municipal de 2016, na esteira do impeachment de Dilma Rousseff (PT), mas que agora vive um grande dilema interno sobre a sucessão presidencial de 2018.

Na entrevista, FHC colocou na mesma frase Doria, estrela ascendente do PSDB, e o apresentador de TV Huck, que é amigo do ex-presidente e citado como eventual candidato a algum cargo em 2018 -o que ele nega até aqui, até por ainda não estar filiado, apesar de investidas do Partido Novo e a proximidade com os tucanos.

Políticos próximos do ex-presidente leram de duas formas a frase. Uns acreditam que foi uma forma de tirar o protagonismo de Doria, com quem FHC não tem exatamente a relação mais próxima. Outros, minoritários no debate, um sinal de aproximação com o prefeito, visto por muitos no seu partido como a única alternativa viável hoje na sigla -não por acaso o ex-presidente ressalvou que "a eleição é só daqui a um ano e meio".

A questão que divide o tucanato decorre do fato de que seus principais presidenciáveis, Alckmin e o senador Aécio Neves (MG), estarem combalidos nas pesquisas de intenção de votos. Aécio, que concorreu em 2014 e quase ganhou, caiu de 26% de dezembro de 2015 para 8% no cenário principal do mais recente Datafolha.

Alckmin, por sua vez, caiu de 14% para 6% no cenário principal de que participa no período quando ele entrou no rol de políticos citados por delatores da Operação Lava Jato. Enquanto isso, Doria estreou na pesquisa como candidato tucano, arregimentando entre 9% e 11%, a depender do cenário, e ostentando baixos 16% de rejeição -Aécio tem astronômicos 44% e o governador paulista, 28%.

Além da associação com a Lava Jato, os caciques tucanos são prejudicados pelo fato de o partido estar no governo Michel Temer (PMDB), que é rejeitado por 61% da população.

Na mesma pesquisa, em um cenário improvável que une todos os nomes na praça, Luciano Huck estreia com 3% (contra 5% do trio tucano). Em todos os cenários de primeiro turno, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera na casa dos 30%, com enormes 45% de rejeição.

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