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Fundações ligadas ao PT e ao PSDB debatem periferia em São Paulo

FERNANDA MENA SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em um diálogo inédito entre fundações ligadas ao PT e ao PSDB, petistas e tucanos analisaram na terça (18), em São Paulo, as transformações da classe trabalhadora urbana apontadas pela pesquisa "Percepções e Valo

Da Redação

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Escrito por Da Redação
Publicado em 19.04.2017, 08:00:03 Editado em 19.04.2017, 15:11:11
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FERNANDA MENA

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em um diálogo inédito entre fundações ligadas ao PT e ao PSDB, petistas e tucanos analisaram na terça (18), em São Paulo, as transformações da classe trabalhadora urbana apontadas pela pesquisa "Percepções e Valores Políticos nas Periferias de São Paulo", da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT.

O estudo entrevistou 63 moradores da periferia de São Paulo que votaram em candidatos petistas de 2000 a 2012, mas mudaram essa tendência com Dilma Rousseff em 2014 e Haddad em 2016.

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"Há material muito interessante para reflexão a partir desta tentativa do PT de entender como o cinturão vermelho se pintou de azul", disse Sérgio Fausto, diretor do Instituto Fernando Henrique Cardoso, ao se referir à eleição de João Dória, no primeiro turno, em praticamente toda a periferia de São Paulo.

O resultado do estudo mais difundido -e tido como surpreendente- sugere que as classes populares passaram a se identificar com valores liberais, sobrevalorizando meritocracia e mercado, em detrimento de um Estado que não entrega serviços.

A interpretação dos dados que levou a este resultado, no entanto, foi questionada pelos participantes do debate.

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"A ideologia dominante afeta os dominados, mas não se trata de uma reprodução pura e simples. Ela é reelaborada", avalia Andréia Galvão, do departamento de ciência política da Unicamp.

Ela cita a ode ao empreendedorismo e a valorização do mercado que emergem da pesquisa. A primeira, diz, pode ser interpretada como uma "alternativa ao desemprego, portanto, estratégia de sobrevivência, muito mais do que a aspiração de ser patrão".

A segunda diria respeito a uma "lógica do consumidor, de que quem paga, exige". "O motivo para se admitir a compra de certos bens e serviços advém mais da dificuldade de responsabilizar o Estado [por um mau serviço público prestado] do que da internalização da ideia de Estado mínimo, por exemplo. Criticar a ineficiência do Estado não torna a periferia liberal."

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Para Fausto, essa classe trabalhadora "escapa das classificações" tradicionais de classe do século 19.

"São pessoas que sofreram um processo de mobilidade social acentuado, num curto espaço de tempo, mas que chega a um fim abrupto."

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Além disso, avalia, a "pesquisa é colhida no momento em que 'deu ruim'". "Muita gente que experimentou o plano de saúde privado e a escola privada voltou [para os serviços público]. O que vai resultar dessa experiência? Não é claro."

Ele aponta para o desafio de entender como a sociedade brasileira, "ainda que não esteja politizada", processará a atual crise política.

"Todo mundo que participou do processo de redemocratização de um jeito ou de outro operou segundo práticas que levaram à desmoralização do sistema político. É um fato. Ou a gente reconhece isso ou não tem onde se ancorar", disse.

"A Lava Jato abre uma oportunidade. Mas, falando um português medonho: deu cagada. E ela é mais ou menos generalizada."

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