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Assessor de Palocci sacava até R$ 1 milhão em dinheiro vivo, diz delator

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ESTELITA HASS CARAZZAI

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Em depoimento ao juiz Sergio Moro tornado público nesta quarta (12), o delator Fernando Migliaccio, que gerenciava o pagamento de propinas pela Odebrecht, afirmou que um assessor do ex-ministro Antonio Palocci fazia saques de até R$ 1 milhão em dinheiro vivo no seu escritório.

"Ele ia na minha sala, abria a mochila... E eu entregava em espécie. Foram tantas vezes que eu não posso precisar, mas nunca menos de um milhão [de reais]", afirmou Migliaccio. "Dependendo das notas, cabe até uns R$ 2 ou 3 milhões numa mochila."

O assessor, Branislav Kontic, preso na Operação Lava Jato, fazia os saques por ordem de Palocci, segundo relataram Migliaccio e outros delatores da Odebrecht.

Os pagamentos eram descontados do saldo que o ex-ministro tinha junto à empreiteira, relatado na planilha "Programa Especial Italiano", assim como de um saldo do ex-presidente Lula, apelidado de "Amigo" nessa mesma planilha.

O destino dos valores, porém, é desconhecido dos delatores.

"O que saía do Programa B [como eram chamados os saques de Kontic] era basicamente em espécie. Então, eu não posso afirmar para onde é que ia", disse o herdeiro do grupo, Marcelo Odebrecht. "Tinha saques em espécie que Palocci pedia para eu descontar do saldo 'Amigo'. Mas não tenho como comprovar [que os valores foram para o petista]."

Segundo Marcelo, as propinas eram uma forma de manter um "relacionamento" com o PT e a Presidência, na época comandada pelo partido.

Em troca, Palocci atuava como um interlocutor da Odebrecht com o governo federal, e intercedia em favor da empresa em determinadas situações.

OUTRO LADO

O advogado de Branislav Kontic, José Roberto Batochio, afirmou que o assessor prestará depoimento na semana que vem, e que irá, na ocasião, comentar as acusações.

"A defesa não quer se antecipar", declarou.

O defensor, que também é advogado de Palocci, disse que o ex-ministro sempre negou ter intermediado pagamentos ilícitos na Odebrecht, e que cumpriu apenas seu papel de interlocução com empresários à frente da pasta da Fazenda.

O ex-presidente Lula afirma que nunca pediu valor indevido à Odebrecht nem "a qualquer outra pessoa". "Lula não tem nenhuma relação com qualquer planilha na qual outros possam se referir a ele como 'Amigo'", diz a nota enviada pelo Instituto Lula.

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