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A aliados, Temer reclama de pressão e diz não ser nem popular nem populista

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GUSTAVO URIBE, RANIER BRAGON E LAÍS ALEGRETTI

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em meio às expectativas de quebra de sigilo de delações premiadas e ao julgamento de cassação da chapa presidencial, o presidente Michel Temer fez um desabafo nesta terça-feira (28) em reunião com integrantes da base aliada.

Em reunião no Palácio do Planalto, o peemedebista disse que tem sofrido pressão em decisões governamentais e reconheceu que não é um presidente nem popular nem populista. Segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada em dezembro, apenas 10% consideram a gestão federal como ótima ou boa.

Segundo relatos, o presidente ressaltou, contudo, que apesar da consciência de que atualmente não tem uma grande aprovação, não pretende adotar o caminho do populismo e quer ser reconhecido como um presidente que fez reformas estruturais, como a previdenciária e a trabalhista.

No encontro, de acordo com parlamentares presentes, o peemedebista fez questão de destacar que tem adotado uma pesada carga de trabalho. Ele disse que tem acordado muito cedo e trabalhado até tarde e que o tempo para ele tem sido contado em dobro, diante do mandato curto que assumiu com o impeachment de Dilma Rousseff.

A reunião foi convocada para discutir o texto da reforma previdenciária, que tramita em comissão especial na Câmara dos Deputados. No encontro, o presidente defendeu a adoção de uma proposta que seja de consenso e recebeu a sugestão de flexibilizar as novas regras para aposentadoria rural, evitando equipará-la com a urbana.

Os deputados federais ainda defenderam que não sejam alteradas as regras do benefício pago a pessoas pobres idosas ou com deficiência, o BPC (Benefício de Prestação Continuada), e a restrição ao acúmulo do valor da pensão e da aposentadoria ao teto do INSS.

Segundo eles, com as três alterações ao texto original, ficaria mais fácil aprovar a proposta previdenciária. Em resposta, o presidente destacou que o eixo principal da iniciativa não pode ser quebrado, como a fixação de uma idade mínima.

Ele destacou, contudo, que a equipe econômica poderá reavaliar questões pontuais, desde que sejam apresentadas por escrito pela base aliada.

O ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Herman Benjamin, relator do processo de cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, entregou nesta segunda-feira (27) seu relatório final.

O gesto abriu espaço para que o julgamento comece na semana que vem. O presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, disse nesta terça (28) que a "tendência" é realmente começar o julgamento na próxima semana.

Em abril, o ministro do STF (Superior Tribunal Federal) Edson Fachin também deve abrir o sigilo dos pedidos de investigação feitos pela PGR (Procuradoria-Geral da Reública) contra pelo menos seis ministros da gestão peemedebista.

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