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Amigo de Temer, Mariz aceita convite para órgão de reforma prisional

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GUSTAVO URIBE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Michel Temer decidiu criar uma estrutura governamental para coordenar uma reforma do sistema prisional após uma crise que deixou 102 mortos no início do ano.

O peemedebista reuniu-se nesta sexta-feira (3), na capital paulista, com o advogado e amigo Antonio Mariz de Oliveira, que aceitou chefiar o novo órgão que será ligado diretamente à Presidência da República.

O presidente não definiu ainda, contudo, se a estrutura será uma assessoria ou um comitê. Com a decisão de um novo órgão, o presidente desistiu de retirar a secretaria nacional de segurança pública do comando do Ministério da Justiça.

"Eu vou colaborar com o presidente. Não temos o formato ainda do instrumento, mas deve haver uma definição nos próximos dez dias", disse Mariz à reportagem.

Com a nomeação do criminalista, o peemedebista pretende ainda recompor a equipe de assessores especiais da Presidência da República, que sofreu duas perdas recentes.

Em dezembro, o melhor amigo do presidente, José Yunes, deixou o governo federal após ser citado em delação premiada do ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho. E, na próxima terça-feira (7), o advogado Rodrigo Rocha Loures deve assumir mandato de deputado federal.

Desde que assumiu o Palácio do Planalto, em maio, Temer tentava encaixar Mariz em sua equipe ministerial. O presidente chegou a convidá-lo para assumir a Justiça, mas recuou após o criminalista, em entrevista à Folha de S.Paulo, ter criticado as delações premiadas e dito que a Polícia Federal deve ter outros focos além do combate à corrupção.

Com a indicação do ex-ministro Alexandre de Moraes para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), no mês passado, o peemedebista cogitou novamente o nome do criminalista para a Justiça, mas escolheu o deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR) com receio da repercussão da indicação de Mariz.

Nas palavras de um assessor presidencial, desde que assumiu o governo federal, o presidente tinha uma espécie de "dívida moral" com o amigo por ele não fazer parte da equipe ministerial.

A criação de um órgão para a reforma prisional ocorre após o governo federal ter enfrentado três massacres no início do ano em unidades carcerárias no Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte.

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