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Vice da Câmara diz que irá romper com governo após convite a Serraglio

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RANIER BRAGON, DANIEL CARVALHO E GUSTAVO URIBE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O convite para que o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) assuma o Ministério da Justiça já causou o primeiro racha público na bancada do partido na Câmara.

Vice-presidente da Casa, o também peemedebista Fábio Ramalho (MG) afirmou na tarde desta quinta-feira (23) que está rompendo com o governo de Michel Temer e que sua vontade agora é impôr seguidas derrotas ao Palácio do Planalto nas votações.

"Parece que o governo tem ódio de Minas", disse Ramalho à reportagem, afirmando que irá procurar colegas do partido, não só de seu Estado, para o acompanharem na rebelião.

A insatisfação da bancada do PMDB de Minas reside no fato de Temer não ter escolhido o também deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), que chegou a ser cotado, mas acabou sendo descartado após vir a público declarações que ele deu contra o poder de investigação do Ministério Público.

Fábio Ramalho afirmou que recebeu na tarde desta quinta um telefonema de Temer, que tentou lhe explicar a escolha.

Segundo o deputado, Temer prometeu até recriar um ministério para colcar um peemedebista de Minas como ministro. "Falei que a gente recusava, que estamos de ouvido aberto para as ruas e que não queremos recriação de ministério, queremos é menos ministério", disse Ramalho, em tom exaltado.

O deputado afirmou que Temer disse apenas, então, que se a vontade dele era essa, ela seria respeitada. "Minas está sendo preterida em tudo, já cansou de entrar ministro de outro Estado. Pelo tamanho da bancada, o tamanho do nosso Estado, da nossa população, a gente exige mais respeito."

A insatisfação com a escolha de Ramalho se estende a peemedebistas de outros Estados também. Sob condição de anonimato, dois deles disseram que o Ministério da Justiça não resolve o problema do partido, que demanda comandar uma pasta com acesso a recursos para obras nos redutos eleitorais dos parlamentares.

Segundo eles, Serraglio não conseguiu o apoio da bancada, que é a maior da Câmara. O partido de Temer reclama ter um espaço no governo menor do que o PSDB.

Por conta do racha na bancada peemedebista, o presidente considera deixar o anúncio do novo ministro para a semana que vem. Segundo um assessor presidencial, ele terá de pacificar a bancada federal antes de anunciar um nome caso não queira enfrentar retaliações de seu próprio partido no Congresso Nacional.

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