Política

Temer tenta reduzir danos em base do governo na Câmara

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Michel Temer começou no fim de semana o programa de redução de danos na base aliada após recondução de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara, declarações feitas pelo deputado e aumento de espaço do PSDB no governo.

Tão logo terminou a eleição na Câmara, Temer procurou o principal candidato governista derrotado, Jovair Arantes (PTB-GO), que sinalizou não ter intenção de criar problemas para o governo.

Aliados de Temer avaliam que o governo não pode desprezar os 105 votos que Jovair recebeu. Dizem, em reserva, que o centrão perdeu força, mas não morreu, e que estes 105 deputados ficarão unidos por uma questão de sobrevivência.

Durante o fim de semana, Temer procurou também o líder do PMDB, Baleia Rossi (SP), e o líder do governo, André Moura (PSC-SE), que foram alvo de declarações de Maia em entrevistas publicadas no fim de semana. À Folha de S.Paulo, Maia disse que o presidente da República precisa arbitrar a briga por cargos dentro de seu partido. O presidente da Câmara disse ainda que DEM e PSDB serão os condutores e garantidores das reformas de Temer.

O PMDB está inconformado com o espaço que o PSDB está ganhando no governo. Os tucanos têm apenas um ministério a menos que os correligionários de Michel Temer.

Maia teve que tentar contornar a situação e mandou mensagem aos deputados peemedebistas.

"Quero primeiro me desculpar publicamente porque sei da importância que o PMDB, a importância do apoio do líder Baleia Rossi, tiveram na minha eleição", disse o deputado do DEM no texto.

"Na minha análise, apenas deixei claro que o PMDB agora, por ser o partido do presidente da República, a sua participação precisa ser reorganizada, valorizada. O PMDB exerce o papel de protagonista no governo e na Câmara", contemporizou Maia na mensagem.

O PMDB da Câmara tem pressionado por espaço nos três ministérios de maior visibilidade da Esplanada: Saúde, Educação e Cidades. Agora, também querem a liderança de governo na Câmara, hoje ocupada por André Moura.

A vaga havia sido negociada com Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) em troca de apoio a Maia, que, em entrevista ao jornal "O Globo", disse que Moura não é "afinado" com ele.

Peemedebista disseram não ter interesse na vaga de Alexandre de Moraes. O ministro da Justiça e Segurança Pública foi indicado por Temer para ocupar a vaga de Teori Zavascki no STF (Supremo Tribunal Federal).

"Vamos querer o Ministério da Justiça pra quê? Para dizerem que estamos tentando interferir na Lava Jato?", ponderou um peemedebista reservadamente.