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Com dez anos no cargo, presidente da Assembleia da BA desiste de reeleição

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JOÃO PEDRO PITOMBO

SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo (PSL), informou na noite de terça (31) que desistiu de disputar mais um mandato para o cargo.

Nilo é um dos presidentes de Assembleia mais longevos do país -está no cargo desde 2007 e acumula quatro reeleições. Neste período, apoiou e foi apoiado pelo então governador, Jaques Wagner, e pelo governador Rui Costa, ambos do PT.

O motivo da desistência foi a perda de apoio político. Na última semana, deputados da oposição, da base e até de seu próprio partido anunciaram apoio ao deputado estadual Angelo Coronel (PSD).

A candidatura de Coronel foi costurada pelo senador Otto Alencar (PSD) e teve o apoio do PP do vice-governador, João Leão, além da bancada de oposição, que havia apoiado Nilo em quatro das cinco eleições para a Presidência.

Nilo tinha o apoio do seu partido, o PSL, além de PT, PC do B e PSB.

A retirada de sua candidatura e a virtual vitória de Ângelo Coronel, agora candidato único, é encarada como uma derrota do governador Rui Costa.

Apesar de considerar Nilo e Coronel como candidatos de sua base, a reeleição do atual presidente tinha o apoio da bancada petista e de secretários estaduais ligados ao PT.

Petistas consideram que a eleição de Coronel fortalece o senador Otto Alencar. Seu partido, o PSD, saiu das urnas em 2016 como o partido que mais elegeu prefeitos na Bahia, superando o PT.

Otto Alencar afirma que apoiará a reeleição de Rui Costa em 2018, mas aliados próximos do governador não descartam que o próprio Otto se lance candidato ao governo.

SEM MÁCULA

Em nota, Marcelo Nilo afirma que renunciou à disputa após "analisar a conjuntura" e diz que deixa o cargo "sem máculas".

Em seus cinco biênios à frente da Assembleia, Nilo foi questionado por distribuir bolsas de estudo e cargos temporários entre os deputados da base e da oposição.

A Folha de S.Paulo revelou que as bolsas de estudo em universidades pagas pela Assembleia, que deveria ser destinadas a estudantes carentes, foram dadas a políticos, empresários e doadores de campanha dos próprios deputados.

As contratações temporárias foram questionadas pelo Ministério Público da Bahia. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, pelo menos 40 cargos eram ocupados por políticos e seus parentes.

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