Política

Crivella nega relação entre música e 'chute na santa'

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ITALO NOGUEIRA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O senador Marcelo Crivella (PRB), candidato à Prefeitura do Rio, negou nesta quarta-feira (19) relação entre a música "Um chute na heresia" e o episódio em que um bispo da Igreja Universal atacou imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Em entrevista após receber o apoio do deputado Carlos Roberto Osório (PSDB), Crivella disse até que a música "não foi lançada em disco nenhum". Ela faz parte o CD "Como posso me calar?", lançado em 1998 como uma espécie de desagravo aos ataques à Universal. A capa estampa uma foto do bispo Edir Macedo, líder da denominação e tio do senador, na prisão.

"Essa música fala de assunto completamente diferente daquele. Se você ver a letra, eu inclusive chamo de irmãos aqueles que discordam do que eu considero ensinamentos bíblicos", disse ele.

A música ironiza o episódio em que o bispo Sérgio von Helde deu chute e soco na imagem da santa durante o programa "Despertar da fé", na TV Record, no dia 12 de outubro de 1995, feriado nacional em sua homenagem.

"Na minha vida dei um chute na heresia / Houve tanta gritaria de quem ama a idolatria / Eu lhe respeito meu irmão, não quero briga / Se ela é Deus, ela mesmo me castiga", diz a música.

"Aparecida, Guadalupe ou Maria / Tudo isso é idolatria de quem vive a se enganar / Mas não se ofenda meu irmão, não me persiga / Se ela é Deus, ela mesmo me castiga", afirma outra estrofe.

Crivella se queixou da imprensa por buscar escritos antigos seus. Ele já pediu desculpas por ter sido intolerante e afirma que aprendeu na política a ter uma visão mais abrangente da vida.

"Acho uma perda de tempo tão grande que uma imprensa tão lúcida, tão inteligente queira trazer para este momento do debate assuntos de décadas atrás quando candidato não é o pastor, não é o missionário. É o senador", disse ele.