Política

'Algum dia todos os brasileiros poderão usar polo Ralph Lauren', diz Doria em festival de jornalismo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Prefeito eleito de São Paulo, João Doria recusou neste sábado (8) as comparações com o candidato a presidente dos EUA pelo Partido Republicano, Donald Trump, feitas por jornais americanos como "Washington Post" e "New York Times" e também europeus.

"Eu agradeço e declino", afirmou o tucano, durante entrevista pública no Festival Piauí GloboNews de Jornalismo. "Não tenho nenhuma identidade com ele", acrescentou, dizendo-se "totalmente Hillary" Clinton, a adversária democrata de Trump.

Doria questionou a divisão da política em esquerda e direita, mas sublinhou ser social-democrata, como está no nome de sua legenda, Partido da Social Democracia Brasileira.

"Eu sou um jornalista", afirmou o prefeito eleito, ao abrir sua participação. Disse que, na campanha, desenvolveu uma visão sobre o jornalismo, do outro lado: "A imprensa elogia pouco e critica muito. Faz parte do jogo".

Sobre o questionamento de sua imagem, comentou: "Incorporei a coxinha. Em vez de combater, eu assumi". Na mesma linha, afirmou depois, ao comentar um meme que o ironizou: "Algum dia todos os brasileiros poderão usar polo Ralph Lauren".

Quanto à divisão que sua candidatura causou no partido, afirmou já ter conversado com todos os que foram contra ele. "Já falei com [Alberto] Goldman, com Aloysio [Nunes Ferreira], com José Aníbal."

Acrescentou, arrancando gargalhadas: "Serra me telefonou, me cumprimentou. Dentro dos critérios do chanceler José Serra, ele foi generoso".

FUTEBOL E PAZ

Pela manhã, ao abrir o evento, o jornalista alemão Thomas Kistner, autor do livro "Fifa Maffia", fez um histórico da "família" que dominou a entidade de futebol por cinco décadas, a partir da presidência do brasileiro João Havelange e tendo a marca alemã Adidas como "verdadeiro regente".

Esse domínio só começou a ser rompido, segundo Kistner, com a entrada em cena de uma força policial com poder para agir em diversos países, o FBI, a polícia federal americana. "Até o FBI entrar, em 2010, só havia a mídia [para investigar a Fifa] e a mídia falhou." À tarde, Ginna Morelo, do jornal colombiano "El Tiempo", falou sobre o processo de pacificação de seu país e da escolha do presidente Juan Manuel Santos para receber o Nobel da Paz. Sobre este, afirmou que quem deveria receber o prêmio eram as vítimas colombianas da guerra.

Acrescentou que, do ponto de vista do jornalismo, a pacificação passa por mudanças na própria narrativa que adota, por "desarmar a linguagem", por exemplo, de expressões como narcoterrorismo. Também por evitar a ditadura do "clique", a busca de repercussão, ecoando cada palavra do ex-presidente Álvaro Uribe, contrário ao processo.