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Projeto das 10 medidas não têm apoio 'cego', diz chefe da Lava Jato na PF

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BELA MEGALE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em audiência pública sobre as 10 medidas de combate à corrupção que tramita no Congresso Nacional, o delegado Igor Romário de Paula, que está a frente da Operação Lava Jato, afirmou que a polícia apoia o projeto, mas não de maneira "cega e irrestrita".

Acompanhado do diretor-geral da entidade Leandro Daiello, que também foi convidado a falar sobre o tema, Romário de Paula criticou na manhã desta quinta (6) a concentração de poder no MPF (Mistério Público Federal) que pode decorrer da lei, caso seja aprovada.

O projeto é de autoria dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato e chegou ao Congresso após ter conseguido 2,1 milhões de assinaturas.

Um dos pontos criticados pelo delegado foi o "teste de integridade", que seria aplicado por órgãos policiais, de fiscalização e controle, por meio de simulações durante o trabalho em que uma questão ética seja abordada, sem o conhecimento do funcionário.

"Somos feitos o mesmo barro", disse o delegado usando as palavras do diretor da Faculdade de Direito da UFPE, que também foi convidado para falar sobre o tema nesta quinta.

"A medida propõe a obrigatoriedade dessa medida para policiais facultada a demais integrantes da administração pública. Se for adotada, tem que ser restrições, para todos", disse ele.

Romário de Paula aproveitou a oportunidade para trazer à tona outro tema que vem gerando conflitos entre PF e MPF, a colaboração premiada.

"Não faz sentido retroceder e concentrar a colaboração premiada em uma única instituição. Isso não funciona, limita a investigação por parte da polícia", criticou o chefe da Lava Jato na PF.

Em abril, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entrou com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) questionando a constitucionalidade de trechos da Lei das Organizações Criminosas que autoriza delegados de polícia a fecharem colaborações premiadas. A Procuradoria pede que o tribunal proíba a PF de fechar acordos. A PF vem sendo alijada de acordos da Lava Jato desse novembro do ano passado.

A concentração de poder na mão dos procuradores e o teste de integridade também foram criticadas por outros convidados do debate, como Marcelino Rodrigues Mendes, presidente da Associação Nacional dos Advogados Públicos Federais que representou a AGU no debate.

"O teste de integridade não tem sentido. E o que chama mais atenção é excluir a magistratura dele criando-se castas entre os servidores públicos", afirmou.

O diretor-geral da PF Leandro Daiello evitou entrar em polêmicas sobre a 10 medidas propostas pela força-tarefa da Lava Jato, mas alertou os deputados sobre o risco de aprovação de outras propostas que tramitam no Congresso, como a repatriação de recursos e a liberação dos jogos de azar.

"São algumas medidas negativas que nos preocupam e tramitam nessa casa que poderiam facilitar a lavagem de dinheiro", disse Daiello.

O diretor-geral destacou, porém, que é necessário aprovar medidas que fortaleçam as investigações. "Não vejo mudança feita através da polícia. Nós trazemos à tona o que está acontecendo, mas precisamos muito de medidas legislativas que nos deem fortalecimento e agilidade na investigação, claro que com respeito as garantias do cidadão", defendeu.

Romário de Paula também apontou itens do projeto de lei que concorda, como o aumento de penas para crimes de corrupção, ajuste de nulidades penais e propostas que trazem celeridade dos processos nos tribunais.

A proposta das 10 medidas de combate à corrupção tramita em uma Comissão Especial na Câmara dos Deputados, sob a relatoria deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Ele tem até o dia 1º de novembro para entregar o relatório final sobre a proposta.

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