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Coordenador da Lava Jato, Dallagnol recebe título de doutor honoris causa

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ESTELITA HASS CARAZZAI

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, recebeu nesta segunda-feira (3) o título de doutor honoris causa em Direito.

A honraria foi concedida pela Facinepe, grupo educacional privado que atua no ensino superior e já cedeu o título a personalidades como o apresentador Silvio Santos, o bispo Edir Macedo e o presidente da OAB, Claudio Lamachia.

O reitor Faustino da Rosa Júnior, que sugeriu a premiação, afirmou que Dallagnol se destaca por seu "perfil jovem e audaz" e pela "grandeza de sua coragem".

"Suas ações provocaram transformações de cunho social e moral em toda a sociedade brasileira, e serão objeto de estudo no mundo acadêmico por muito tempo", discursou na entrega do prêmio, realizada na sede do Ministério Público Federal em Curitiba.

A homenagem, prevista na lei brasileira, foi aprovada pelo conselho superior da faculdade, em agosto.

Em agradecimento, Dallagnol afirmou que a homenagem não era devida a ele, mas a "todos os que têm trabalhado na Operação Lava Jato". "É o símbolo de um reconhecimento social", disse.

O procurador criticou a forma como o processo criminal é conduzido no Brasil, e como grandes investigações contra a corrupção são frequentemente anuladas pela Justiça.

"O processo criminal é uma espécie de buraco negro. Todo o resultado da investigação acaba sendo nenhum", afirmou.

Dallagnol voltou a defender reformas no sistema judiciário brasileiro, por meio das dez medidas enviadas ao Congresso pelo Ministério Público Federal, que são alvo de críticas por parte do mundo jurídico.

"Nós não temos o monopólio do discurso. É possível que as nossas soluções não sejam as ideais, e é justamente para isso que existe um Parlamento próprio para se discutir ideias e buscar as soluções que sejam adequadas", afirmou o procurador.

Dallagnol também elogiou técnicas especiais de investigação no combate à corrupção -como a delação premiada, que chamou de "revolucionária"-, e pediu a revisão de regras probatórias, o que foi tema de sua dissertação de mestrado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

"É preciso entender que o processo jamais leva a certezas, mas no máximo a grandes probabilidades."

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