Política

Ato pró-PT lota quadra de sindicato com mote 'não vai ter golpe'

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THAIS ARBEX, GIBA BERGAMIM JR. E GUSTAVO URIBE
SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Aos gritos de "Viva o partido populista do Brasil", militantes do PT lotaram a quadra do Sindicato dos Bancários, no centro de São Paulo, nesta sexta-feira (4) num ato em homenagem ao ex-presidente Lula e contra as investigações da operação Lava-Jato.
A plenária tinha como mote a frase "não vai ter golpe", como os petistas estão chamando a possibilidade de impeachment de Dilma.
Até a noite desta sexta, não havia estimativa de público.
O primeiro a discursar foi o senador petista Lindbergh Farias, que foi um dos líderes do "Fora Collor", em 1992.
"Acordei no dia de hoje indignado com o que estavam fazendo com o presidente Lula. Concluí nesta tarde que eles deram um tiro no pé. Mexeram com nosso presidente Lula" disse Farias.
"Eles acenderam a nossa militância", disse Farias, em discurso. Para a Lava-Jato, o PSDB é inatingível. Aécio Neves foi citado em três delações", disse.
O movimento teve apoio de centrais sindicais, movimentos sociais de moradia, educação e lideranças de partidos da base de apoio da presidente Dilma Roussef.
Além do presidente municipal do PT, Paulo Fiorilo, compuseram a mesa Vagner Freitas, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Nivaldo Orlandi (PDT) e várias centrais de movimentos populares.
Na quadra, havia dezenas de faixas em protesto contra a nova fase da Operação Lava-Jato na qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os filhos dele foram levados à Polícia Federal para prestar depoimento.
Fiorilo disse que haverá pelo menos dez plenárias para convocar a militância para "combater a tentativa de golpe".
CARAVANA DE MINSITROS
O ato contará com a presença de pelo menos cinco ministros petistas. A comitiva ministerial será formada por Aloizio Mercadante (Educação), Juca Ferreira (Cultura), Edinho Silva (Comunicação Social), Miguel Rossetto (Trabalho) e Tereza Campello (Desenvolvimento Social).
A decisão dos ministros de participarem do protesto foi definida em reunião nesta sexta-feira (4) no diretório nacional do PT em Brasília.
A presidente Dilma Rousseff chegou a ser aconselhada por seu núcleo político a também comparecer à manifestação na capital paulista. Ela chegou a avaliar a possibilidade, mas desistiu ao ser informada que não haveria como garantir a sua segurança integral no protesto.
Em nota oficial, a presidente manifestou "integral inconformismo" com a "desnecessária condução coercitiva" do ex-presidente para prestar depoimento à Polícia Federal.
Ela afirmou ainda que sempre exigiu "respeito à lei e aos direitos de todos os investigados" e que os agentes públicos precisam ter "profundo senso de responsabilidade em relação aos cumprimentos das nossas competências institucionais".
A Polícia Federal executou mandados de busca e apreensão no prédio do ex-presidente e de seu filo Fábio Luíz Lula da Silva -também conhecido como Lulinha.
Essa fase da operação, batizada de Aletheia, apura se empreiteiras e o pecuarista José Carlos Bumlai favoreceram Lula por meio do sítio em Atibaia e o tríplex no Guarujá. O ex-presidente nega as acusações.