Política

Carta enviada por Delcídio a senadores é exibida como prova de 'traição'

.

DANIELA LIMA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Era para ser um tratado de armistício, mas a carta enviada há menos de dez dias por Delcídio do Amaral (PT-MS) a todos os seus colegas de plenário no Senado foi exibida nesta quinta-feira (3) como prova da "traição" e "deslealdade" do petista.
No texto, ele garantiu aos parlamentares que não pretendia usar as informações que acumulou em seus anos no parlamento como moeda de troca pela manutenção do mandato. Ameaçado de cassação, o ex-líder do governo disse textualmente que "ódio e revanchismo não ocuparam" sua imaginação. O discurso caiu por terra após a revista "IstoÉ" publicar detalhes do acordo de delação premiada que o petista negocia com a força-tarefa da Lava Jato.
Delcídio enviou a carta a todos os senadores no dia 25 de fevereiro. No documento, falava sobre seu "injusto encarceramento", mas garantia que os três meses que permaneceu preso não foram suficientes para "dobrar" o seu caráter. "Jamais fiz ou farei ameaça a qualquer pessoa", afirmou o senador. "O injusto encarceramento me afastou temporariamente da convivência familiar, social e política. Todavia, não me exonerou da coerência e da razão", continuou.
O petista, que está afastado de seu partido desde que foi preso pela Polícia Federal, disse que "seria falso" dizer que a "injustiça" não o feriu. "Ela testa nossa força, debilita o corpo e atormenta o espírito. Porém, essas provocações não dobraram meu caráter. Ódio e revanchismo não ocuparam minha imaginação", sustenta Delcídio.
Aos pares, o senador que firmou acordo de delação premiada na qual acusa a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tentarem interferir na Lava Jato, disse que estava sereno. O que mais incomodou os senadores, no entanto, foi a notícia de que Delcídio não poupou alguns de seus pares na denúncia que fez à Lava Jato. Segundo a "IstoÉ", o senador mencionou senadores da base do governo e da oposição. Na carta, Delcídio disse que reafirmava seu "compromisso de lealdade com o Senado". Os senadores, agora, se preparam para cobrar a fatura pela "traição" do petista. Parlamentares experientes apostam que o processo de cassação do petista será um dos mais céleres da história da Casa.