Política

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BELA MEGALE E CÁTIA SEABRA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva repetiu nesta quinta-feira (3) que é o alvo político da Operação Lava Jato. A aliados, Lula afirmou que, se confirmados, os termos da proposta de delação do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) comprovariam que existe uma tentativa de desestabilizá-lo politicamente. E que seu nome é usado por investigados como uma isca para garantir a homologação de acordos de delação.
Lula lamentou ainda que o vazamento dessas declarações venha a prejudicar sua estratégia na Justiça.
Interlocutores do ex-presidente descreveram o dia de hoje como mais um capítulo de sua luta política. Advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins disse que Lula sofre uma "publicidade opressiva".
"Uma delação cuja autenticidade é negada pelo suposto delator e é veiculada em uma revista já carente de credibilidade é um nada. A verdade é que o ex-presidente Lula sempre se comportou dentro da mais absoluta legalidade e sofre uma publicidade opressiva por parte daqueles que querem prejudicá-lo no âmbito político e judicial", disse o advogado.
DELAÇÃO
Em delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato, Delcídio revelou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou comprar o silêncio de Nestor Cerveró e de outras testemunhas.
Detalhes do acordo foram veiculados pelo site da revista "IstoÉ", que publicou reportagem com trechos dos termos de delação. A informação de que Delcídio fechou acordo de delação premiada foi confirmada à reportagem por pessoas próximas às investigações da Lava Jato.
O senador também diz que Dilma Rousseff usou sua influência para evitar a punição de empreiteiros, ao nomear o ministro Marcelo Navarro para o STJ. O ministro Teori Zavascki, do STF, decidirá se homologa ou não a delação.
Por meio de nota divulgada pelo Instituto Lula, o ex-presidente disse que nunca cometeu irregularidades.
"O ex-presidente Lula jamais participou, direta ou indiretamente, de qualquer ilegalidade, seja nos fatos investigados pela operação Lava Jato, ou em qualquer outro, antes, durante ou depois de seu governo", diz o texto divulgado na tarde desta quinta-feira (3).
Após uma reunião com Lula, o presidente do PT, Rui Falcão, disse nesta quinta que, se confirmados, os termos da delações de Delcídio "não merecem credibilidade".
"Se é que ele fez essas declarações, não merecem credibilidade. Porque nunca o ex-presidente Lula fez tratativas como as mencionadas, tampouco a presidente Dilma", afirmou.
Falcão fez questão de frisar que Delcídio foi suspenso do PT e que o senador será notificado pela comissão de ética do partido e, a partir daí, terá dez dias para apresentar sua defesa. "Quero lembrar que Delcídio foi suspenso. Não é filiado ao PT", afirmou ele.