Política

Relator de processo de impugnação declara apoio a Doria

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THAIS ARBEX
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Definido nesta quarta-feira (2) como relator do processo de impugnação da pré-candidatura de João Doria a prefeito de São Paulo pelo PSDB, Jorge Farid, vice-presidente do diretório municipal, declarou que votará no empresário no segundo turno das prévias tucanas.
"Nesse segundo turno assumo a posição junto ao candidato Doria, que é o candidato do governador", afirmou Farid logo depois de ser escolhido relator em reunião da Executiva do partido.
Com o apoio do governador, Doria venceu o primeiro turno das prévias e disputará a segunda etapa, no dia 20 de março, contra o vereador Andrea Matarazzo, que tem ao seu lado o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os senadores José Serra e Aloysio Nunes.
Integrantes do grupo de Matarazzo e do deputado federal Ricardo Tripoli, que também disputou a primeira fase das prévias, entraram com uma representação contra Doria, acusando o empresário de abuso de poder econômica, transporte de filiados e uso de propaganda irregular.
Embora tenha negado que sua declaração de voto vá influenciar na elaboração do relatório, afirmando que, por não ser "tucano carnívoro", "buscará a maior isenção possível", Farid minimizou os argumentos usados contra a pré-campanha de Doria.
Questionado sobre o empresário ter espalhado cavaletes com sua foto pelos locais de votação, Farid afirmou não acreditar que "esse tipo de excesso possa desqualificar ou desequilibrar" a eleição interna.
"Vamos verificar se isso estava na regra do jogo e me parece que já estava na regra do jogo, no acerto entre os candidatos", afirmou ele.
Integrante do diretório de Vila Prudente, na zona leste da cidade, Farid afirmou ter atuado de forma discreta no primeiro turno, mas admitiu que, a partir do momento que o resultado da eleição mostra que Doria venceu em seu zonal, "as urnas falam". "As urnas falam e você acaba se mostrando e se expondo mais."
Dos 134 votos de Vila Prudente, João Doria teve 70, Ricardo Tripoli, 42, e Andrea Matarazzo, 18.
RITO
Em reunião nesta quarta-feira (2), a Executiva municipal do PSDB aceitou a admissibilidade do processo e definiu o rito que será seguido a partir de agora.
Segundo a orientação do advogado do partido, Anderson Pomini, depois de ser notificado oficialmente da representação, o que deve acontecer nesta quinta (3), João Doria terá dez dias para apresentar sua defesa. Testemunhas de defesa e acusação também poderão ser ouvidas.
Ficou definido também que o relatório final será analisado pelos 71 integrantes do diretório municipal, definido pelo presidente Mário Covas Neto como "um colegiado mais democrático para a decisão".
Covas Neto quer, no entanto, que todo o processo, que poderia se estender para depois do segundo turno, acabe antes do dia 20. Tanto que já deixou marcada uma reunião com todos os integrantes do diretório para 14 de março. A expectativa é que neste dia o relatório seja analisado.
"Sem cercear a defesa de quem quer que seja vamos tentar que essa decisão saia antes do segundo turno. É importante para todos, especialmente para os candidatos", afirmou Mário Covas Neto.
"Para o bem de todos, dos candidatos, do partido, é importante que se tenha uma decisão rápida, para a gente virar a página. Deixar isso pendente é desgastante", disse.
O acirramento da disputa interna também ecoou na definição do relator do processo. Assim que Jorge Farid foi escolhido, os tucanos passaram a questionar a isenção da relatoria.