Política

Antes de sair votação no STF, Cunha disse não ver razão para afastamento

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DÉBORA ÁLVARES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Antes da maioria do STF (Supremo Tribunal Federal) votar a favor da abertura de uma ação contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no âmbito da Lava Jato, o deputado afirmou que não existe razão para seu afastamento do comando da Casa.
Os ministros deram início na tarde desta quarta (2) ao julgamento de Cunha por corrupção e lavagem de dinheiro, acatando a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República.
O julgamento foi suspenso e deve ser retomado nesta quinta (3). Ainda pode haver uma interrupção caso algum dos ministros peça vista. Se não, deve se confirmar a abertura da ação penal.
Sem ainda saber do resultado, mas ciente de que a expectativa era de que os ministros acatassem a denúncia, Cunha destacou o fato de que o relator do caso, ministro Teori Zavascki, acolheu apenas parte da denúncia do procurador-geral, Rodrigo Janot.
"No início do voto do relator [Teori] ele já afastou mais da metade das acusações que foram feitas pelo Ministério Público. É uma coisa óbvia: eu não podia participar de um ato de corrupção num período durante o qual nem conhecia as pessoas. Já afastou grande parte das acusações de pronto. Com o tempo a verdade acaba surgindo", afirmou.
Como tem feito questão de destacar nos últimos dias, Cunha voltou a ressaltar já ter sido considerado réu pelo Supremo e absolvido em seguida. "Efetivamente, tudo que está lá não tem a mínima condição de ser provado".
Questionado se teme perder apoio de partidos que sempre o apoiaram, mas que ameaçam deixá-lo de lado com o status de "réu", reagiu afirmando não ter sido eleito nem por "oposição, tampouco pelo PT".
Embora PPS, DEM e PSDB afirmem que aguardavam somente um posicionamento do STF nesse sentido para decidir a respeito da permanência de Cunha na Presidência da Casa, apenas o PSOL, ao tomar conhecimento do resultado do primeiro dia do julgamento, tomou a tribuna e pediu com veemência o afastamento do peemedebista.
"Parece que muitos aqui, de maneira esquizofrênica, estão querendo desconsiderar [o julgamento]", afirmou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).