Política

Líder do governo no Senado diz que delatores precisam apresentar provas

.

MARIANA HAUBERT E RANIER BRAGON
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), afirmou nesta terça-feira (1º) não acreditar que a revelação de que a empreiteira Andrade Gutierrez pode ter pago, de maneira ilícita, despesas com fornecedores da campanha eleitoral de Dilma Rousseff em 2010, terá um impacto imediato no mandato da petista.
O senador afirma que, como as informações se referem ao primeiro mandato da presidente da República, ela não poderia ser punida no atual período. A Folha de S.Paulo revelou nesta terça que a empreiteira afirma ter feito pagamentos ilícitos por meio de contratos fictícios de prestação de serviços para quitar dívidas com fornecedores da campanha eleitoral.
A revelação foi feita no acordo para a delação premiada de 11 executivos da Andrade, segundo a reportagem apurou, e é a primeira citação direta de irregularidade apurada pela Lava Jato que envolve uma campanha da presidente da República.
O fornecedor conhecido até aqui, segundo pessoas que tiveram acesso aos detalhes do acordo no Ministério Público Federal, é a agência de comunicação Pepper, que trabalhou para Dilma em 2010.
O pagamento foi feito, segundo delatores, a pedido direto de um dos coordenadores da campanha do PT.
"É preciso ter acesso a essas informações. Acesso às provas que efetivamente eles possam ter apresentado. É preciso também que a coordenação da campanha possa se responsabilizar por isso. Do ponto de vista da situação, não acredito [que tenha punições] porque o mandato já transcorreu, já teve as contas aprovadas. Pode ter um impacto político", disse Costa.
Questionado sobre o conteúdo das delações, o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), não quis responder diretamente. Ele apenas afirmou que a imprensa deveria fazer questionamentos sobre a campanha de Aécio Neves (PSDB-MG), candidato à Presidência da República e derrotado no último pleito eleitoral.
Também mencionou Aécio o líder petista na Câmara, Afonso Florence (BA). Para ele, "qualquer delator é réu confesso e o que ele diz requer investigação". Contudo, pondera o deputado, "não pode ser base de uma condenação".
"Isso se aplica a Dilma, se aplica a Aécio, se aplica até mesmo a Cunha. Aécio tem quatro processos por delação premiada que os tucanos não querem que investigue, porque eles perderam o senso dos fundamentos da democracia".
Investigado pela Operação Lava Jato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), criticou a divulgação de delações premiadas porque elas "não são acompanhadas por provas". "Fica muito difícil a gente avaliar o dia a dia da investigação. A gente não tem informação. As delações não são acompanhadas de provas que possam, inclusive, justificá-las", disse.
O peemedebista já foi citado na delação do ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Segundo ele, em 2012 Renan tratou pessoalmente, sem intermediários, de suposto repasse de propina proveniente da Petrobras e teria reclamado da falta de repasse de propina por parte do delator.
OPOSIÇÃO
Para o líder da oposição no Congresso, deputado Mendonça Filho (PE), as revelações reforçam a tese do impeachment da presidente Dilma. "Demonstra que o PT se sustentou e se sustenta com financiamento ilegal. Do ponto de vista da narrativa já temos a campanha de 2014 (no pedido de impeachment), mas reforça a tese", disse ele.
Líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), afirmou que não faltam provas das irregularidades da campanha de Dilma. "O TSE [Tribunal Superior Eleitoral] precisa acelerar esse processo de cassação da chapa para que possamos ter novas eleições e tirar o país dessa inércia", disse.
O tribunal eleitoral analisa quatro ações apresentadas pela oposição que pedem a cassação da presidente Dilma Rousseff e de seu vice, Michel Temer.