Política

Nomeação de Cardozo é criticada por servidores e advogados da AGU

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GUSTAVO URIBE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A decisão da presidente Dilma Rousseff de realocar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no comando da AGU (Advocacia-Geral da União) foi criticada nesta segunda-feira (29) por entidades de servidores e advogados do órgão federal.
Os dirigentes nacionais da Anafe (Associação Nacional dos Advogados Públicos Federais) e a Asagu (Associação dos Servidores da AGU) esperavam que a petista indicasse um nome de carreira e levasse em conta lista tríplice enviada ao Palácio do Planalto para substituir o ministro Luís Inácio Adams.
O presidente da Anafe, Marcelino Rodrigues, avaliou como um "retrocesso" a presidente ter utilizado um critério político, e não técnico, na escolha do novo titular da AGU. Para ele, sem fazer juízo de valor sobre a capacidade do ministro, a petista deveria ter priorizado nomes que integram a atual estrutura.
"Um nome de fora, independentemente de quem seja, não é bem visto pela carreira. No fim, a presidente ignorou completamente a lista tríplice, o que não é bom para o fortalecimento da AGU", criticou.
O presidente da Asagu, Danton Azevedo, também avalia que o mais adequado seria o Palácio do Planalto nomear um servido do órgão federal e disse esperar que o novo ministro leve em consideração durante a sua gestão reivindicações antigas da categoria.
Cardozo decidiu deixar o cargo, como antecipou neste domingo (28) a Folha de S.Paulo, depois que a pressão sobre ele, vinda do PT e de partidos da base do governo, chegou a limites "intoleráveis", segundo revelam amigos próximos.
A nomeação do procurador do Ministério Público da Bahia Wellington César como novo ministro da Justiça era estudada pelo governo federal desde o fim do ano passado.
Com a possibilidade da saída de Cardozo, que já havia pedido para deixar a pasta mais de uma vez, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, articulava a nomeação do aliado político para o posto.
O nome de César foi sugerido em janeiro por Wagner a Dilma e tinha o apoio do atual ministro da Justiça, que o defendeu como uma possibilidade para substituí-lo.