Política

Para Procuradoria, Santana sabia que recursos eram desviados da Petrobras

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AGUIRRE TALENTO, LEANDRO COLON E RUBENS VALENTE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato afirmam pela primeira vez, em ofício à 13ª Vara Federal de Curitiba, que o publicitário João Santana e sua mulher Mônica Moura tinham "plena consciência" de que receberam recursos oriundos de crimes contra a Petrobras.
A manifestação do Ministério Público Federal foi feita no pedido de prorrogação da prisão temporária deles, enviado nesta sexta-feira (26) ao juiz Sergio Moro.
No documento, os procuradores dizem ainda que Santana e Mônica "mentiram em seus interrogatórios". Isso porque, na análise deles, os documentos apreendidos com uma funcionária da Odebrecht revelam que eles efetivamente receberam dinheiro em reais, no Brasil, em 2014 -ao contrário do que haviam afirmado, de que só receberam recursos referentes a campanhas no exterior.
Para o Ministério Público, esses valores recebidos no Brasil estão "evidentemente vinculados a crimes praticados por executivos do grupo Odebrecht contra a Petrobras".
"Analisando-se o panorama probatório até agora existente, observa-se que tanto Mônica Moura quanto João Santana receberam recursos decorrentes de crimes praticados contra a Petrobras e que tinham plena consciência de que tais valores eram oriundos de crimes praticados contra a Petrobras", diz o documento.
E completa: "Neste ponto, o fato de ambos terem negado o recebimento de recursos em espécie no Brasil e de a tabela produzida por Maria Lúcia [funcionária da Odebrecht] ter demonstrado o pagamento dos valores em favor do casal (identificados pelo codinome Feira) denota claramente o intuito de Mônica e João Santana em ocultar o recebimento dos recursos que sabem ser oriundos crimes praticados contra a Petrobras".
Os procuradores também pedem a prorrogação da prisão temporária de Maria Lúcia Tavares, por causa dos documentos encontrados com ela que indicam repasses ao casal.