Política

Mônica Moura não explicou uso de operador do petrolão, diz procurador

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PAULA REVERBEL
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa da Lava Jato, rebateu nesta quinta-feira (25) os argumentos da defesa do marqueteiro João Santana e de sua mulher, presos na terça na Operação Lava Jato.
A publicitária Mônica Moura, mulher do marqueteiro, disse em depoimento à Polícia Federal nesta quarta (24) que os US$ 3 milhões que a empresa do casal recebeu via caixa dois da Odebrecht em conta no exterior eram pagamentos de dívidas de campanhas realizadas em três países: Angola, Panamá e Venezuela.
A estratégia do casal de admitir recebimento de recursos irregulares fora do país foi revelada nesta quarta-feira (24) pela Folha.
"Não houve esclarecimento de porque um operador do petrolão esteve envolvidos nesses pagamentos", explicou o procurador, ressaltando que seu comentário trata-se de análise preliminar.
De acordo com o depoimento de Mônica, prestado em Curitiba, os US$ 4,5 milhões pagos pelo lobista Zwi Skornicki também têm origem em negócios no exterior.
"Existem interesses da Odebrecht no exterior, que podem ser lícitos ou ilícitos, que têm que ser investigados", acrescentou Carlos Fernando. Segundo ele, não há, no depoimento de Mônica, "nenhuma relação explicada que chega a esclarecer" por que o dinheiro recebidos de campanhas no exterior foram pagos por Skornicki.
SÍTIO
Sobre a reforma paga pela empreiteira Odebrecht em sítio em Atibaia (SP) frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o procurador da Lava Jato afirmou que Ministério Público irá analisar se o gesto configura recebimento de vantagem indevida.
A construtora admitiu sua ligação com as obras, iniciadas no fim de 2010, quando Lula ainda exercia seu segundo mandato.
Suspeita-se que Lula seja o real dono da propriedade rural, que tem 173 mil m² (o equivalente a 24 campos de futebol). Uma reforma paga por empresas que tinham contratos com o poder público pode configurar improbidade administrativa.
CAPANHA
Carlos Fernando dos Santos Lima esteve em São Paulo acompanhado pelo procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, para comemorar o sucesso da campanha de pacote de medidas contra a corrupção.
As "10 Medidas Contra a Corrupção" conseguiram mais de 1,5 milhão de assinaturas e podem, agora, serem protocoladas no Congresso Nacional na forma de projeto de lei de iniciativa popular. Quase um quatro dos apoios registrados eram de São Paulo. O Ministério Público ainda não divulgou data para levar o projeto ao Poder Legislativo.
Na cerimonia também estavam presentes o subprocurador-geral da República Nicolao Dino, e os procuradores Thiago Lacerda Nobre e Thamea Danelon Valiengo, além da atriz Maria Fernanda Cândido.