Política

Governo mobiliza base aliada para evitar convocação de Wagner em CPI

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GUSTAVO URIBE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Na tentativa de evitar a piora da crise política enfrentada pelo Palácio do Planalto, o governo federal pediu nesta terça-feira (23) aos líderes da base aliada na Câmara dos Deputados que se mobilizem para evitar a aprovação de pedido de convocação do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, na CPI dos Fundos de Pensão.
O receio é de que o ministro seja alvo de críticas e ataques e de perguntas incômodas feitas por parlamentares oposicionistas, o que poderia agravar ainda mais o impacto no Palácio do Planalto da prisão temporária do marqueteiro João Santana, responsável pelas duas campanhas eleitorais da presidente Dilma Rousseff.
Segundo relatos de presentes, a solicitação foi feita pelo líder do governo, José Guimarães (PT-CE), o qual pediu ainda que a base aliada tenha atenção na indicação dos membros da CPI do Carf, autorizada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em mais uma tentativa de enfraquecer o governo federal.
A intenção dos partidos de oposição é de que a CPI do Carf mire Luis Cláudio, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e investigado na Operação Zelotes por receber pagamentos de lobista.
Na semana passada, sob intervenções protelatórias de deputados petistas, a CPI dos Fundos de Pensão adiou a votação de convocação do ministro da Casa Civil. Uma nova votação deve ser feita na quinta-feira (25).
Os deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Erika Kokay (PT-DF) e Ênio Verri (PT-PR) pediram a palavra diversas vezes para discutir assuntos anteriores à convocação de Jaques Wagner, atrasando a votação dos requerimentos.
Os petistas chegaram a defender Wagner antecipadamente, afirmando que ele não tem relação nenhuma com desvios nos fundos e que sua convocação era apenas jogo político.
O requerimento de convocação, de autoria do deputado Raul Jungmann (PPS-PE), é motivado por mensagens interceptadas pela Polícia Federal entre Wagner e o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro.
Em uma das mensagens, Léo Pinheiro afirma que Wagner queria saber "como foi na Funcef (fundo de pensão da Caixa Econômica Federal". Em outra enviada a Wagner, Pinheiro cita "demanda vinda dos fundos".
Wagner tem negado irregularidades nas conversas com o empreiteiro.