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Fiéis comemoram perdão da Igreja a Padim Ciço com romaria no Ceará

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KLEBER NUNES, ENVIADO ESPECIAL
JUAZEIRO DO NORTE, CE (FOLHAPRESS) - O perdão da Igreja Católica ao padre Cícero Romão Batista, anunciado no último dia 13, foi comemorado com uma romaria neste domingo (21), em Juazeiro do Norte (CE). Ainda era noite quando a multidão de devotos se reunia na praça do Socorro para celebrar a reconciliação de Padim Ciço com a Igreja.
Às 4h30, sob forte chuva, era intensa a movimentação dos romeiros na igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, onde estão os restos mortais de padre Cícero.
Muitos fiéis, que chegavam de ônibus, vans e carros, vestiam roupas pretas para simbolizar o luto pela morte do religioso, no dia 20 de julho de 1934, e a saudade que ele deixou. Outros, incluindo os sacerdotes, usavam um chapéu de palha.
"O preto simboliza a saudade que temos do Padim Ciço e que recordamos todo dia 20. E o chapéu faz parte da vida do sertanejo, é uma marca nossa que ele também usava", afirmou o radialista João Damácio.
Diante do túmulo de Padre Cícero, devotos depositavam flores e faziam orações. Do lado de fora, vendedores serviam café da manhã antes da missa campal, que começou às 6h.
"Estava desanimado para vir a essa última romaria, mas quando soube do perdão da Igreja fiquei doido para estar nesse momento histórico. Nós, romeiros, esperávamos demais por esse dia", disse o professor Eduardo Pereira, que saiu de ônibus de Serra de São Bento (RN) com mais 51 pessoas.
MILAGRE DA HÓSTIA
Em 1881, segundo conta a lenda na região do Cariri, uma hóstia entregue pelo sacerdote a uma mulher se transformou em sangue. O episódio, que ficou conhecido como "milagre da hóstia", logo se espalhou pelo Nordeste, dando início a peregrinações de fieis atrás do "padre milagreiro".
Na época, a Igreja Católica não reconheceu o milagre e suspendeu o direito de Padim Ciço atuar como padre. O sacerdote foi acusado pela Santa Sé de "manipulação da fé". A medida, no entanto, não foi suficiente para afastar os fiéis -ao contrário, a cada ano as romarias aumentavam.
No início da missa, a chuva deu uma trégua, e pétalas de rosas foram jogadas sobre os fiéis. Milhares de crianças, adultos e idosos lotavam a praça, onde também está o Memorial Padre Cícero, com o acervo pessoal do "santo do povo".
CARTA
Presidida pelo bispo da Diocese de Crato (CE), dom Fernando Panico, a missa foi marcada pela leitura da carta escrita a pedido do papa Francisco. O documento de sete páginas foi enviado à Nunciatura Apostólica, em Brasília, que representa o Vaticano no Brasil, no último dia 20 de outubro.
O texto destaca as virtudes do padre Cícero e a importância das romarias para a fé, sobretudo em um período em que a Igreja vem perdendo fieis.
"Sem dúvida alguma, [padre Cícero] foi movido por um intenso amor pelos mais pobres e por uma inquebrantável confiança em Deus. E ele deixou marcas profundas no povo nordestino, como a devoção à Virgem Maria", escreveu o secretário de Estado do Vaticano, cardeal dom Pietro Parolin.
A expectativa da Igreja Católica no Brasil e dos devotos de padre Cícero é que a carta provoque o aumento no número de peregrinações a Juazeiro do Norte. Atualmente, a Diocese do Crato estima que, por ano, 2 milhões de pessoas visitem a cidade fundada por padre Cícero.
"Uma semana depois da notícia da carta recebemos ligações de católicos de outras partes do país. Já está agendada a primeira romaria de devotos vindos de Curitiba, agora em janeiro", afirmou José Carlos dos Santos, que é coordenador pastoral das romarias.
Em entrevista à imprensa, dom Fernando Panico afirmou que a carta de reconciliação deve levar ao crescimento do número de devotos porque deve pôr fim às resistências "ao fenômeno padre Cícero" dentro da própria Igreja.
"Está claro que o que ficou no passado morreu com essa declaração pública da Igreja. Foi feita Justiça", disse o prelado. Para o bispo, está claro o reconhecimento das romarias como manifestações vivas de fé pela Igreja.
"É garantida a sua reta orientação eclesial, trazendo para todos o inegável benefício de uma adequada evangelização inserida na realidade e na mentalidade da população fiel desta região com repercussões em todo o Brasil", diz a carta.
A missa foi acompanha por outros bispos de dioceses nordestinas e por autoridades civis, como o governador do Ceará, Camilo Santana (PT). Ao final da celebração, os fiéis assistiram a apresentações da cultura popular, como bacamarteiros e cavalo-marinho.
BEATIFICAÇÃO
Entre os fieis, a carta de reconciliação enviada pela Santa Sé só aumentou o desejo de que seja aberto um processo de beatificação de padre Cícero.
Para dom Panico, no entanto, não é hora de pensar nisso. "Com a reconciliação não há mais nenhum impeditivo para um processo de beatificação e, posteriormente, canonização. Mas isso só acontecerá com o tempo, não agora", disse o bispo.




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