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Para frear Picciani, PMDB proibirá filiações que não passem por executiva

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GUSTAVO URIBE E FLÁVIA FOREQUE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Na tentativa de inviabilizar o retorno de Leonardo Picciani (RJ) à liderança do partido na Câmara dos Deputados, a Executiva Nacional do PMDB publicará nesta quarta-feira (16) resolução que obrigará que novas filiações de deputados e senadores sejam aprovadas anteriormente pelo comando nacional do partido.
A mudança, que será realizada por ordem do vice-presidente Michel Temer, terá como objetivo impedir que ingressem na legenda deputados federais de outros partidos com o objetivo de fortalecer a base de apoio do parlamentar carioca, permitindo sua reabilitação ao comando da bancada peemedebista.
A resolução será aprovada em reunião da Executiva Nacional do PMDB marcada para esta quarta-feira (16). O primeiro afetado pela iniciativa será o deputado federal Altineu Côrtes (PR-RJ), que terá sua filiação impugnada.
Côrtes registrou-se na segunda-feira (14) no diretório do PMDB do Rio de Janeiro e tentou se inscrever como integrante da bancada peemedebista. A filiação teve a participação do ministro Antonio Carlos Rodrigues (Transportes), que negociou com o PR para que a sigla não peça à Justiça Eleitoral o mandato dele por infidelidade partidária.
Na semana passada, Temer orientou a cúpula do partido a proibir a filiação de parlamentares que tenha como propósito fortalecer a tentativa de recondução de Picciani. A estratégia é blindar a bancada federal e o novo líder do partido, Leonardo Quintão (MG), que conta com o apoio do vice-presidente.
Aliado da presidente Dilma Rousseff, Picciani foi destituído na semana passada, quando 35 dos 66 integrantes da bancada federal assinaram documento pedindo sua saída. O parlamentar carioca tenta agora recuperar apoios e quer apresentar até o final da semana nova lista com a assinatura de mais da metade da bancada do partido.
GOVERNO
Com dificuldades de conseguir reverter apoios, o Palácio do Planalto iniciou movimento para enfraquecer a legitimidade do atual líder à frente do PMDB na Casa Legislativa. A pedido do governo federal, os ministros Marcelo Castro (Saúde) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) atuam para convencer deputados a retirarem assinatura do abaixo-assinado que levou o mineiro ao posto, mesmo que eles não declarem apoio ao carioca.
A estratégia é torná-los neutros na disputa interna, diminuindo a base de apoio de Quintão e, assim, estimulando traições que fortaleçam o retorno de Picciani. Na tentativa de enfraquecer o novo líder, o governo também tem trabalhado para isolá-lo.
A reunião da Executiva Nacional do PMDB deve também discutir a antecipação da convenção do partido de março para janeiro que discutirá o desembarque da legenda do governo federal.
O movimento pela agilização do processo vem ganhando força na cúpula nacional da sigla, a qual avalia que a nova fase da Operação da Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira (15), foi uma retaliação do governo federal ao PMDB por causa do acolhimento do pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff e o afastamento do partido do Palácio do Planalto.
O grupo favorável ao impeachment na sigla ameaça apresentar à Executiva Nacional do PMDB uma lista com o apoio de dez diretórios estaduais da legenda para convocar uma convenção extraordinária que delibere o desembarque imediato.

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