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Política

Oposição diz que Cunha usa cargo para se defender

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OBS. INCLUI EDUARDO-CUNHA 1 E 3

DÉBORA ÁLVARES, RANIER BRAGON E DANIELA LIMA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Aliada de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) quando ele ameaçava deflagrar um processo de impeachment contra Dilma Rousseff, a oposição unificou o discurso de que o presidente da Câmara está usando o cargo em benefício próprio e alguns partidos irão ao STF (Supremo Tribunal Federal) pedir o seu afastamento.
Na quinta (19), Cunha e aliados conseguiram, usando recursos previstos no regimento interno da Casa, derrubar a sessão do Conselho de Ética que iria analisar o relatório preliminar de seu processo de cassação.
As manobras resultaram em um motim de cerca de cem deputados, que criticaram Cunha em plenário e abandonaram a sessão de votações do dia.
"Há um consenso de que ele errou demais, passou do limite de tantos erros. Mostrou que não tem o menor receio de usar o cargo para se beneficiar", afirmou o líder da bancada do PSDB, Carlos Sampaio (SP).
"Foi uma coisa vexatória, absurda, inaceitável. A Câmara foi usada em benefício próprio, como instituto de defesa. Você jamais pode usar a Câmara como algo que lhe pertença", reforçou o líder do DEM, Mendonça Filho (PE).
Até aliados de Cunha reconheceram, reservadamente, terem errado a mão e, na palavra de um deles, "acordado quem estava dormindo". Na avaliação de correligionários do peemedebista, o adiamento da tramitação do processo em uma semana foi um ganho muito pequeno em comparação ao fôlego político dado aos adversários de Cunha.
O discurso da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) na sessão plenária de quinta, em que ela disse "levanta dessa cadeira, Eduardo Cunha", foi considerado por aliados e adversários um petardo político contra o peemedebista.
Nesta sexta (20), o também oposicionista PPS afirmou que vai ingressar com um mandado de segurança no STF na próxima terça (24) pedindo o afastamento do peemedebista. O líder do partido na Câmara, Rubens Bueno (PR), vai apontar situações que demonstram, segundo ele, a interferência de Cunha no andamento do processo no Conselho de Ética.
Mencionará, por exemplo, o fato de não ter sequer disponibilizado à comissão uma sala para a realização da reunião do conselho -na véspera da sessão ainda havia indefinição sobre o local.
A Rede, da ex-senadora Marina Silva, também afirmou que vai encaminhar um pedido semelhante ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para que ele requeira ao STF o afastamento de Cunha.
"Nossa expectativa é de que o Supremo, a pedido da PGR [Procuradoria-Geral da República], afaste o deputado da presidência da Câmara para que o Conselho de Ética possa funcionar livre de qualquer tentativa de interferência da presidência", disse o deputado Alessandro Molon (RJ), líder da Rede no Congresso.
Essa não é a primeira vez que políticos recorrem à Justiça para tentar afastar Cunha da Presidência da Câmara. Sílvio Costa (PSC-PE) entrou, no dia 22 de outubro, com uma representação na Procuradoria nesse mesmo sentido. Ainda não obteve resposta.
Na semana passada, o PSDB, que vinha pregando de forma tímida o afastamento de Cunha do cargo, assumiu uma atitude mais incisiva.
Líderes do partido chegaram a falar que não se curvarão às demandas do peemedebista.
Além de direcionar o foco contra Cunha, a oposição também cobra o PT, partido que negociou nos bastidores um acordo para protelar o processo contra o peemedebista em troca do congelamento dos pedidos de impeachment contra Dilma Rousseff.
Na sessão do Conselho de Ética de quinta, os três deputados titulares do PT não apareceram dentro da estratégia de tentar esvaziar o encontro. Dois deles só chegaram após o quorum ter sido atingido.

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