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Manifestantes dizem que descumprirão ordem para desmontar acampamento

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MARIANA HAUBERT
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Acampados em frente ao Congresso há mais de um mês, grupos que defendem o impeachment da presidente Dilma Rousseff afirmam que não cumprirão espontaneamente a ordem de deixar o local neste fim de semana. Nesta quinta (20), os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deram 48 horas para que os manifestantes desmontem suas barracas.
"A nossa ideia é permanecer lá mas não pretendemos entrar em confronto com a polícia. Vamos resistir pacificamente mas se houver ação policial não vamos para o enfrentamento", afirmou Kim Kataguiri, um dos líderes do MBL (Movimento Brasil Livre).
A decisão de determinar a retirada dos manifestantes do local foi tomada após um pedido do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, aos presidentes das duas Casas por temer novos conflitos na área. Ele também determinou o mesmo prazo de 48 horas para que um grupo que defende uma intervenção militar no país deixe o gramado posterior à área do Congresso, local que integra a Esplanada dos Ministérios e é de responsabilidade da administração local.
Nesta quarta (17), uma briga entre manifestantes e integrantes da Marcha Nacional das Mulheres Negras 2015 terminou com duas pessoas detidas por porte de arma de fogo e disparos durante a confusão. Deputados que acompanhavam a marcha também foram atingidos por gás de pimenta usado pelos policiais para conter a confusão.
Nesta semana, integrantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) também montaram uma grande tenda no gramado do Congresso para se contrapor aos demais movimentos ao defender o governo Dilma. Segundo Kim, eles se instalaram no local apenas para criar um fato político que levasse à decisão de retirar todos os grupos do local.
"Foi uma decisão levada pela mobilização da CUT. Eles foram lá criar um fato político para nos tirar de lá. Tanto é que eles já deixaram o local depois da decisão de nos retirar ter sido tomada", disse Kim. A CUT desmontou seu acampamento na noite desta quinta.
De acordo com ele, os integrantes do MBL deverão permanecer no acampamento até que haja uma ação para os retirar do local. Se o acampamento for de fato desmontado, Kim afirma que não há um plano para montá-lo em outro lugar e a mobilização deve ser encerrada.
Já o grupo que defende uma intervenção militar no país afirmou nesta quinta (19) que não vai desarmar o acampamento e que está pronto para um confronto com a polícia, se for necessário. Rollemberg afirmou que a ação de retirada dos manifestantes usará os meios necessários para isso mas negou que possa autorizar o uso de arma letal na ação.

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