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Pessoa diz que dinheiro para campanha não era propina

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REYNALDO TUROLLO JR., FLÁVIO FERREIRA, GRACILIANO ROCHA E MARIO CESAR CARVALHO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dos principais delatores da Operação Lava Jato, o dono da UTC Ricardo Pessoa disse que as doações para campanhas eleitorais não tinham relação com as propinas pagas pela empreiteira em troca de contratos com a Petrobras.
O empreiteiro afirmou que havia uma diferença entre as doações feitas dentro e fora do período eleitoral. Uma das linhas de acusação da Procuradoria é que o financiamento legal a candidatos e partidos era uma das etapas finais da lavagem do dinheiro desviado da estatal.
"Na época de campanha, as contribuições de campanha não tinham nada a ver com propina, eram contribuições de campanha mesmo. O restante, não. Era como se pagava a comissão da propina da Petrobras", afirmou.
Pessoa prestou depoimento ao juiz federal Sergio Moro, em Curitiba, nesta segunda (9), na ação penal que apura o envolvimento do ex-ministro José Dirceu com o esquema de corrupção na estatal.
Segundo ele, doações feitas sobretudo ao diretório nacional do PT fora do período eleitoral eram descontadas da "conta-corrente" controlada pelo ex-tesoureiro da legenda João Vaccari Neto sobre a propina relacionada às obras da Diretoria de Serviços da Petrobras.
A desconexão entre propina da Petrobras e doações da UTC para campanhas eleitorais, mesmo as efetuadas por meio de caixa dois, já havia sido apresentada pelo empreiteiro em depoimento sobre as supostas contribuições irregulares ao ministro Aloizio Mercadante (Educação, PT-SP) e ao senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).
O petista e o tucano negam terem recebido recursos não contabilizados. Na ocasião do depoimento no inquérito que corre no STF (Supremo Tribunal Federal), Pessoa disse que não havia ligação entre o pagamento de propina e o financiamento de campanha, mesmo a "parte por fora" (caixa dois).
DIRCEU
Questionado pela defesa de Dirceu, o dono da UTC negou que o pagamento feito pela empreiteira ao ex-ministro tivesse qualquer relação com a Petrobras.
"Absolutamente [não]. Nunca ouvi o diretor [Renato] Duque mencionar o nome de José Dirceu [ao negociar propinas]", afirmou.
De acordo com Pessoa, o contrato entre a UTC e Dirceu era para que o ex-ministro fosse uma espécie de "relações públicas" da empresa em países como Peru, Colômbia e Equador.
No Peru, afirmou o empreiteiro, a UTC chegou a abrir uma sucursal, que foi fechada por razões financeiras quanto a Operação Lava Jato veio à tona, em 2014.
Também prestaram depoimentos nesta segunda os empreiteiros Dalton Avancini e Eduardo Leite, da Camargo Corrêa.
OUTRO LADO
A defesa de Vaccari, já condenado em primeira instância por desvios na estatal, nega as acusações e sustenta que não há provas contra ele, apenas "conflitantes versões de delatores".

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