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Fazenda e BC foram alvos de disputa no início da era FHC, dizem diários

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com a hiperinflação recém debelada, uma das principais dificuldades do início governo FHC foi montar a equipe que levaria à frente o Plano Real e acomodar as disputas internas dos cotados aos principais cargos na área.
Os relatos iniciais do livro “Diários da Presidência” (o primeiro de quatro volumes, sobre os anos 1995 e 1996) mostram uma disputa intelectual e política entre os vários atores que participaram diretamente do Plano Real e de personagens que, depois, foram sendo agregados ao governo.
A primeira gravação do ex-presidente é de 25 de dezembro de 1994, onde ele relata a formação do ministério que assumiria dias depois.
As principais disputas ficaram concentradas no Ministério da Fazenda, que tinha Ciro Gomes como titular desde setembro de 1994, e no Banco Central, presidido antes da posse de FHC por Pedro Malan.
Sobre a Fazenda, FHC manteve algumas conversas preliminares com o próprio Malan e com Edmar Bacha e Pérsio Arida, dois dos formuladores do Plano Real. A questão, os relatos dão a entender, levou meses para ser resolvida antes da posse.
Também corria por fora, por insistência do então governador eleito Tasso Jereissati (PSDB-CE), o nome de José Serra para a Fazenda.
Nesse capítulo, FHC diz que na época do lançamento do real Serra disse que ele deveria estar “bastante descabelado” ao aceitar a tarefa de tentar controlar a inflação.
E que, depois, teve uma conversa sincera com o amigo descartando as chances de ele assumir a Fazenda.
“Disse, com toda franqueza, que só via duas maneiras de ele (Serra) entrar no Ministério da Fazenda: ou provocando uma crise, porque a sua entrada provocaria a crise, ou depois de uma crise, para solucionar um impasse. Portanto, se algum ministro fracassasse, ele seria chamado”, relata o ex-presidente.
“Eu receava que colocá-lo na Fazenda seria provocar um impasse, porque praticamente todos haviam feito restrições ao Serra, não à sua competência, mas a seu estilo.” Serra acabou assumindo o Ministério do Planejamento.
No final, o convite foi feito a Pedro Malan, que inicialmente recusou alegando problemas familiares e que precisava voltar aos EUA, onde morava a mulher e uma filha que já “não o reconhecia”. Mais à frente, Malan solucionou a questão e acabou aceitando o cargo.
No primeiro ano de governo, os relatos de FHC mostram que a preocupação “fundamental” era manter a recém controlada inflação, sem esquecer a questão do desenvolvimento.
Em junho de 1994, no lançamento do real, a inflação atingiu 46,6% em um único mês. Em 1995 baixou para 22,4% anuais e cairia para 9,6% no ano seguinte.
Nesses primeiros meses, havia esforços também para desindexar preços e salários que mantinham a inflação elevada. E, principalmente, calibrar a política cambial que serviu de base para o lançamento do real.
A escolha do presidente do Banco Central, portanto, era crucial. Mas havia disputas internas entre membros da equipe do Real e economistas como Gustavo Franco, então diretor da Área Internacional do BC, sobre como desvalorizar o real para uma faixa mais próxima da paridade US$ 1 - R$ 1.
Franco, elogiado várias vezes por FHC nas gravações, era contrário a uma desvalorização mais rápida, enquanto outros economistas consideravam isso necessário o que acabou ocorrendo.
No início de seu mandato, FHC resolveu o comando no BC (que pertencia a Malan, agora na Fazenda) com o “tampão” Pérsio Arida. Ele ficou poucos meses no posto, sendo substituído no mesmo ano por Gustavo Loyola, que ficaria no cargo até agosto de 1997.
A partir daquele mês, assume Gustavo Franco, que manteria durante sua gestão o real valorizado, próximo à paridade US$ 1 - R$ 1.
Depois da reeleição de FHC em 1998, Gustavo Franco deixaria o Banco Central, o real se desvalorizaria e o BC adotaria a política de câmbio flutuante.

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