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Política

Lider do governo no Senado critica 'falta de mobilização' na Câmara

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MARIANA HAUBERT
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), criticou a articulação do governo na Câmara dos Deputados, que não conseguiu mobilizar a base aliada para votar os vetos da presidente Dilma Rousseff a propostas com grande impacto fiscal nas contas públicas nesta quarta-feira (7).
Para ele, o cancelamento da sessão foi "lamentável" e a reforma ministerial feita pelo governo para garantir a fidelidade da base aliada "não dá resultado".
"Foi lamentável, não tem o que dizer. É inacreditável essa falta de mobilização e, consequentemente, apesar de o Senado ter novamente dado quórum suficiente isso não aconteceu na Câmara. Eu lamento profundamente. Foi feita uma reforma e aparentemente ela não dá nenhum resultado. Ela está dividindo mais as bancadas governistas. Quem perde é o país", afirmou o petista após a sessão.
Líderes de partidos da base aliada que não se sentiram contemplados com a reforma ministerial se rebelaram para esvaziar a sessão. Os líderes do PSD, Rogério Rosso (DF), do PR, Maurício Quintella Lessa (AL), do PP, Eduardo da Fonte (PE) e Jovair Arantes (GO), do PTB, não registraram presença e, segundo parlamentares, fizeram apelos a suas bancadas para que os deputados não comparecessem.
O movimento também foi formado para mostrar à presidente Dilma Rousseff que ela errou ao priorizar o líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), como interlocutor do governo nas negociações da reforma ministerial. Os líderes rebelados queriam ter ampliado seus espaços na Esplanada, enquanto o PMDB acabou ganhando mais uma pasta. A sigla comanda agora sete ministérios.
"Acho que alguma coisa não está funcionando. É preciso avaliar se, eventualmente, fortalecer mais um partido, se isso não trouxe desdobramentos que complicam a articulação da base governista na Câmara. [...] A desarrumação política continua. E havendo desarrumação política, você não coesiona a base, não fideliza a base e dá nisso aí. Duas tentativas em 24 horas que não surtiram nenhum efeito", afirmou Delcídio, fazendo referência também a tentativa frustrada de realizar a sessão nesta terça, que também foi encerrada sem votação por falta de quórum.
Questionado se considerava que a estratégia do governo de promover mudanças nos ministérios para atender a base aliada já tinha fracassado, Delcídio afirmou que ainda é cedo para tal avaliação. "Ainda é cedo para dizer que não deu certo mas que estão ocorrendo problemas e falhas, eu não tenho dúvida nenhuma. Até porque se tivesse dado certo, teríamos liquidado a fatura ontem", disse.
Para o petista, o governo agora precisa ter humildade para reconhecer a derrota e avaliar os próximos movimentos a fim de não errar. "Agora é barriga no balcão. Conversar com todo mundo, ter humildade e, nome a nome, fazer um mapeamento claro para saber qual é a base que nós temos", disse. "Agora temos que baixar a bola e conversar para não errar de novo. Isso é absolutamente ruim para o governo mas é pior para o país", completou.
Delcídio se reuniu com o presidente do Congresso, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), logo após o fim da sessão conjunta. De acordo com ele, o peemedebista não quis marcar uma nova sessão enquanto o governo não garantir que é capaz de ter quórum mínimo de 257 deputados para iniciar a votação dos vetos. "Não marcamos [nova sessão]. Não podemos ficar repetindo sessões para acontecer o que aconteceu hoje novamente", disse.
Em plena quarta, dia de maior movimento no Congresso, a sessão foi encerrada com a presença de 223 deputados e 68 senadores. Minutos após o encerramento da sessão conjunta, a sessão da Câmara foi aberta com 428 deputados presentes.

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