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Nardes deveria se declarar suspeito para julgar contas, diz líder do PT

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MARIANA HAUBERT
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em consonância com o governo, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), defendeu nesta segunda-feira (5) que o relator do processo de análise das contas da presidente Dilma Rousseff de 2014, Augusto Nardes, se declare suspeito para continuar no caso. Para o petista, o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) "assumiu um papel político" no caso.
"Ele deveria se declarar suspeito. Em dissonância com a própria legislação que rege a magistratura, ele assumiu um papel político nesse processo. Ele declarou antecipadamente o seu voto, inclusive pela imprensa. Fez ações políticas junto a diversos segmentos no sentido de pressionar a Casa para se alinhar ao parecer que vai apresentar e que ele já disse que é pela rejeição das contas", afirmou Costa.
O governo encaminhou nesta segunda, um pedido para que o plenário do TCU, composto por nove ministros, decida se Nardes deve ser afastado do caso.
O Palácio do Planalto alega que o ministro cometeu uma irregularidade ao opinar publicamente sobe o assunto e antecipar publicamente, segundo o governo, o seu voto. O julgamento das contas está marcado para esta quarta-feira (7).
O advogado-geral da União, Luiz Inácio Adams, afirmou que caso o TCU não aceite trocar o relator do processo, o governo vai entrar com o pedido de troca em tribunais superiores.
O presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), ministro Aroldo Cedraz, no entanto, vê poucas chances do tribunal adiar o julgamento das contas de 2014 do governo Dilma Rousseff.
"A Corte, que é um órgão de apoio ao Legislativo, precisa ser completamente imparcial. Eu acho que ele [Nardes] deveria se declarar suspeito para participar dessa votação. Eu me refiro ao próprio ministro. Ele que deveria se declarar como suspeito e não o governo fazer isso como pressão", disse Costa.
VOTAÇÃO DE VETOS
O petista afirmou também que o governo está confiante de que a sessão conjunta do Congresso, marcada para esta terça-feira (6), irá acontecer e de que serão mantidos os vetos a propostas polêmicas que aumentam os gastos públicos. O petista, no entanto, ressaltou que há demandas justas que foram vetadas mas unicamente porque o país enfrenta uma crise econômica severa.
"Expectativa é que nós, assim como aconteceu na semana passada, possamos manter os vetos apesar de ali existirem, inclusive, demandas e reivindicações justas. Sabemos que hoje há uma impossibilidade desse atendimento. Foi unicamente por essa razão que a presidente Dilma vetou algumas dessas propostas. Para algumas, inclusive, apresentou propostas alternativas. Acho que vai predominar o espírito da necessidade de manutenção desses vetos. Estamos otimistas", disse.
O petista negou, porém, que exista uma confiança maior do governo devido à conclusão da reforma ministerial que acabou ampliando o espaço do PMDB na Esplanada. "Antes da constituição dessa nova reforma ministerial nós conseguimos aprovar todos os vetos, inclusive esses que vão ser votados como destaques. Por isso não creio que haja uma relação direta. Mas é obvio que o cenário até melhorou em relação à semana passada", disse.




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