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Líder do PSDB mantém apoio à Cunha, mas cobra explicação sobre denúncias

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DÉBORA ÁLVARES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O PSDB da Câmara mantém apoio ao presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mas cobra dele explicações de possíveis contas secretas na Suíça que o teriam beneficiado e também a seus familiares.
"Evidente que o caso que envolve o presidente Eduardo Cunha é um caso grave, que precisa ser apurado, e as informações ainda não vieram. O Ministério Público aguarda as informações da Suíça para saber o que deve fazer. Ele tem, por ora, o benefício da dúvida. Nós temos que aguardar essa documentação que, se vier, é um fato gravíssimo", afirmou o líder tucano na Câmara, Carlos Sampaio (SP), na tarde desta segunda-feira (5).
Em nota, a PGR (Procuradoria-Geral da República) confirmou, na última quarta-feira (30), que autoridades Suíças enviaram ao Brasil dados de contas que seriam de Cunha.
Sampaio, contudo, negou que a confirmação da PGR seja "adequada para comprovar o envolvimento ou não de Cunha".
"A nota não é suficiente, porque se fosse, eles já teriam tomado as medidas judiciais cabíveis. Ele deve explicações para o parlamento e para a nação, mas temos que aguardar as informações. Já falamos com ele que deveria dar explicações e, ele diz que também está a espera da mesma documentação para se manifestar."
Como mostrou a Folha de S.Paulo na última sexta (2), a oposição tem preferido manter-se em silêncio sobre Cunha e as acusações que recaem sobre ele com medo de perder o apoio do principal pilar do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Embora a oposição esteja pressionando Cunha e já tenha feito um acordo velado com ele sobre o rito do pedido do ex-petista Helio Bicudo, que conta com o aval dos oposicionistas, o ritmo do processo quem dita é o presidente da Câmara.
De um lado, o peemedebista sabe que é o pedido de impeachment que mantém a oposição ainda a seu lado. Do outro, a oposição evita comentar as denúncias contra o presidente da Casa Legislativa justamente para não perder o apoio dele no processo e se diz "entre a cruz e a espada".
Semana passada, Cunha foi cobrado em plenário pelo deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) por uma explicação para as acusações. Virado de costas, o peemedebista ignorou a fala do socialista e continuou a votação na Câmara.
PEDALADAS
Sampaio também comentou a articulação do governo para colocar em suspeição a atuação do relator no TCU (Tribunal de Contas da União) das contas da presidente Dilma Rousseff de 2014, o ministro Augusto Nardes. O Palácio do Planalto o acusa de ter agido com parcialidade no processo.
"É mais uma manobra vergonhosa do governo, procurando constranger uma das mais importantes cortes de investigação desse país. Tudo isso são movimentos claros para evitar o constrangimento maior da presidente Dilma, que seria justamente ter o pedido de impeachment aprovado nessa Casa [Congresso]."
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também criticou o governo com a articulação. "Não acho que a melhor maneira que você tem de ir pro jogo de futebol é tirando o juiz de campo", afirmou o peemedebista que disse ainda achar "estranho" o movimento do governo nesse momento.
"Estranho que, depois de tanto tempo, tantos pedidos de prorrogação de prazos, tantas reuniões, de levar a coisa para tantas justificativas, de repente, na véspera do julgamento, é que falam isso. Poderiam ter falado em outro momento. Me parece uma acusação meio tardia", avaliou Cunha.
Para ele, o TCU é só uma instância do processo, que ainda precisa passar pelo Congresso. "Acho até que o tribunal de contas não é terminativo, estão dando uma amplificação maior do que o tamanho dele. A última palavra é e será do Congresso".

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