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Após 39 dias, prefeita que ostenta luxo na internet se entrega no Maranhão

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JOÃO PEDRO PITOMBO
SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - Depois de 39 dias foragida, a ex-prefeita de Bom Jardim (MA) Lidiane Leite (sem partido), 25, entregou-se nesta segunda-feira (28) na sede da Polícia Federal em São Luís.
Suspeita de desviar recursos da merenda escolar, a prefeita ficou conhecida por postar "selfies" ostentando luxo nas redes sociais e por governar a partir de São Luís pelo aplicativo de mensagens WhatsApp.
Lidiane chegou à sede da PF por volta das 12h30 acompanhada de três advogados. A previsão era que ela prestasse depoimento à polícia ainda nesta segunda.
A ex-prefeita, que foi afastada do cargo pela Câmara Municipal no início deste mês, estava foragida desde a deflagração da Operação Éden, da Polícia Federal, em 20 de agosto.
Ela é suspeita de desviar recursos que podem chegar a R$ 15 milhões da área da educação da cidade, onde há escolas funcionando debaixo de árvores.
Deve responder pelos crimes de peculato, fraude à licitação e associação criminosa.
PREFEITA POR ACASO
Eleita prefeita aos 22 anos, Lidiane chegou ao cargo por acaso. A dias da eleição de 2012, assumiu a candidatura no lugar do namorado, o pecuarista Beto Rocha, barrado pela Lei da Ficha Limpa.
Eleita prefeita, nomeou o namorado como seu secretário de Assuntos Políticos. Preso na semana passada pela Polícia Federal, Beto é quem tocava o dia a dia da prefeitura, segundo políticos locais.
Antes, Lidiane vendia leite na porta de casa e ajudava a mãe em uma loja de roupas. Deixou a vida de classe média após conhecer Beto, que tem patrimônio avaliado em quase R$ 14 milhões, segundo a Justiça Eleitoral.
Com novo padrão de vida, passou a ostentar luxo nas redes sociais. Postava fotos em festas, com bebidas caras e afirmava a quem a criticava que comprava "o que quiser" e que seu dinheiro estava "sobrando".
Enquanto tocava a administração da prefeitura, Lidiane passou a enfrentar acusações de corrupção. Foi afastada do cargo três vezes, mas voltou amparada por decisões judiciais provisórias.
Ela responde a ações por cortar salários dos professores, não cumprir o calendário escolar e não regularizar o fornecimento de merenda.

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