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Quase um terço da bancada do PMDB votou contra o Planalto

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DÉBORA ALVARES E NATUZA NERY
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Nem a ampliação do espaço do PMDB no governo, com a oferta de ministérios, foi capaz de garantir à presidente Dilma Rousseff apoio integral do maior partido da base aliada na votação dos vetos que, se tivessem sido derrubados, poderiam gerar um impacto de R$ 128 bilhões até 2019.
Na análise de um dos mais polêmicos na sessão do Congresso na noite de terça (22), a alternativa ao fator previdenciário -mecanismo que desestimula aposentadorias precoces-, 30% dos 49 deputados peemedebistas presentes se posicionaram pela derrubada do veto.
A sessão conjunta deveria analisar 32 vetos. Ao fim, 26 foram analisados e mantidos. Para que as decisões de Dilma fossem revogadas, eram necessários votos de ao menos 257 dos 513 deputados e de 41 dos 81 senadores.
O placar final do PMDB mostrou 34 votos pela manutenção do veto, 15 contrários e 3 abstenções -Osmar Serraglio (PR), Pedro Chaves (GO), e Leonardo Quintão (MG).
Da bancada de 67 deputados, 17 faltaram. As ausências, nesse caso, foram positivas para o governo, por reduzir risco de mais traições.
As negociações do governo com o PMDB repercutiram durante a votação. "Se o PMDB conseguiu os ministérios da Saúde e Infraestrutura, vamos adiar essa votação por mais 30 dias que eles conseguem o Palácio do Planalto", ironizou o líder do DEM, Mendonça Filho (PE).
Enquanto líderes governistas tentavam segurar o quórum para não encerrar a sessão, a oposição, sem condições de derrubar os vetos polêmicos, entrou em obstrução.
Isso inviabilizou a sessão, que acabou sem a apreciação de duas das medidas mais polêmicas: o reajuste dos servidores do Judiciário e a valorização dos benefícios para aposentados e pensionistas.
Era necessário manter um número mínimo de 257 deputados e 41 senadores no plenário. A sessão foi encerrada às 2h19 da madrugada de quarta (23).
No PT, partido da presidente Dilma, 11 deputados não compareceram à votação.
Apesar da crise interna no partido, mais de 90% dos petistas presentes à sessão votaram com o governo. Foram três abstenções: dos deputados Zé Carlos (MA), Professora Marcivânia (AP) e Luizianne Lins (CE). E um voto contrário: do deputado Weliton Prado (MG).
Segundo sua assessoria, o petista tem um compromisso registrado em cartório de votar contra a retirada de direitos dos servidores, trabalhadores e aposentados.
Dos partidos da base, o PC do B foi o mais fiel, com 100% dos 13 deputados favoráveis à manutenção do veto de Dilma. Já o PP, o mais infiel: 14 votos contra, 7 a favor.
No PTB, a média de votos foi de 12 pela manutenção dos vetos, 7 pela derrubada. No PSD, foram 15 votos favoráveis, 9 contrários à manutenção do veto. No PR, foram 18 votos sim, 5 votos não. O Pros marcou 7 votos a favor do veto e 1 contrário.
Uma nova sessão do Congresso precisa ser marcada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para que os parlamentares finalizem a votação dos vetos. Ainda não há previsão. "No que depender de mim, será o mais rápido possível", afirmou Renan.
Além do veto do fator previdenciário, os parlamentares mantiveram também o que isenta a cobrança de PIS e Cofins para óleo diesel.
Parlamentares da base aliada comemoraram o resultado como sendo, principalmente, uma demonstração de uma maior capacidade de mobilização do governo.




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