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Collor não compareceu a depoimento na Operação Lava Jato

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MÁRCIO FALCÃO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Denunciado ao STF (Supremo Tribunal Federal) por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro, o ex-presidente e senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) e sua mulher, a Caroline Medeiros, não compareceram a depoimento marcado pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos nas investigações do esquema de corrupção da Petrobras.
A ausência foi utilizada pela Polícia Federal e pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para pedir ao STF a prorrogação até 3 de novembro do inquérito que apura o suposto envolvimento do senador com os desvios na estatal. A extensão foi autorizada pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo.
O depoimento estava marcado para o dia 28 de agosto.
"As oitivas do parlamentar e de sua mulher foram propiciadas, mas houve negativa de comparecimento, conforme anotado na manifestação da autoridade policial", disse Janot.
Em seu relatório apresentado ao STF, o delegado da Polícia Federal Thiago Machado Delabary afirmou que Collor argumentou que não compareceria ao depoimento porque Janot ofereceu denúncia contra ele ao Supremo.
"Ainda que já oferta a inicial acusatória e a despeito de sua extensão, o recém exposto dá conta de um importante acervo informativo ainda não disponível para ser explorado, não só pelo próprio órgão ministerial, mas pelos demais atores, oportunamente", afirmou o delegado, destacando que ainda há fatos para serem esclarecidos.
A PF alegou ainda que precisava de mais prazo para investigar Collor porque estão em análise perícias na área contábil, voltadas ao pleno esclarecimento de diversas operações financeiras que permeiam o objeto deste inquérito e, especialmente, que se encontra pendente desse processamento o vasto material apreendido nas buscas e apreensões cumpridas" na casa do senador.
A defesa de Collor alega que o congressista não se recusou a prestar depoimento e que a data chegou a ser desmarcada outras vezes pela PF. Na avaliação dos advogados, como houve denúncia, Collor agora precisa prestar esclarecimento nos autos ao Supremo.
Collor foi denunciado pelo Ministério Público Federal ao STF por suposta participação nos desvios da estatal por crimes como corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
A denúncia inclui ainda o ex-ministro Pedro Paulo Leoni Ramos, dois funcionários de seu gabinete e um assessor da TV Gazeta de Alagoas, que tem o ex-presidente como sócio.
Caberá agora aos ministros do Supremo decidir se acolhem ou não a denúncia. Caso seja aceita, eles se tornarão réus em uma ação penal.
Conforme a reportagem apurou, as investigações apontam que o senador teria cometido mais de 300 práticas criminosas e, agora, pesam sobre ele as acusações de corrupção e lavagem de dinheiro.
O decorrer das investigações revelou que o grupo do parlamentar alagoano teria recebido R$ 26 milhões, entre 2010 e 2014, como consta na denúncia entregue ao STF, segundo apurou a Folha.
Os valores da propina, segundo os investigadores, eram referentes a contratos firmados entre empresas privadas e a BR Distribuidora, subsidiária da estatal em que parte da diretoria fora indicada pelo ex-presidente.

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