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Dilma diz que trabalha 'debaixo de pressão, desfaçatez e intolerância'

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JOÃO PEDRO PITOMBO
SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta (14), em Salvador, que vai trabalhar pelo país mesmo "debaixo da pressão, desfaçatez e intolerância que às vezes recai sobre Brasília".
Em discurso para uma plateia de integrantes de movimentos sociais e parlamentares do PT e partidos aliados, a presidente criticou a "insidiosa tentativa de criar no Brasil uma situação de 'quanto pior, melhor'".
Sem citar um eventual impeachment ou críticas da oposição, Dilma afirmou que o país vai superar a crise e reiterou que manterá o compromisso "com todas as conquistas que fizemos nos últimos anos".
"Vou fazer uma afirmação até um pouco pretensiosa: se tem uma coisa de que tenho orgulho foi do que fizemos no governo Lula e no meu governo em relação ao Nordeste. E isso eles [a oposição] jamais vão tirar de nós."
A presidente ainda citou a obra "Grande Sertão: Veredas", do escritor Guimarães Rosa, ao dizer que o que a vida "quer da gente é coragem". Ela já havia citado o trecho em janeiro, no discurso de posse.
Já o governador da Bahia, Rui Costa (PT), afirmou em discurso que o país "não aceita golpe de qualquer natureza". E criticou a oposição: "Vejo gente que perdeu a eleição e não aceita. Quer maltratar o povo e criar o caos no país".
O público replicou aos gritos de "não vai ter golpe" e "olê, olá, Dilma, Dilma".
DIALOGA BRASIL
A presidente esteve em Salvador para a segunda edição do programa Dialoga Brasil, lançado há duas semanas em Brasília. Mais cedo, foi a Juazeiro (a 504 km da capital baiana) entregar unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida.
Em formato de programa de auditório e com a participação de quatro ministros, o evento teve plateia de 300 líderes de entidades civis alinhadas ao PT, além de deputados, secretários e vereadores do partido.
Os ministros Miguel Rosseto (Secretaria Geral) Teresa Campelo (Desenvolvimento Social), Arthur Chioro (Saúde) e Juca Ferreira (Cultura) falaram de programas que são vitrines do governo, como o Mais Médicos, o Bolsa Família e o Vale Cultura.
A plateia apresentou propostas à presidente. Um dirigente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) sugeriu medidas de controle social da saúde.
Uma representante do Conselho de Cultura da Bahia disse que a presidente estava "uma gata". Em resposta, a presidente afirmou que a constatação era resultado de uma "vida saudável, mesmo debaixo da pressão, desfaçatez e intolerância que às vezes recai em Brasília".
Entre discursos e propostas, presidente e ministros ainda dançaram no palco ao som dos tambores do Ilê Aiyê.
Nos próximos meses, a presidente deve replicar o evento Dialoga Brasil em outras capitais brasileiras, começando pelo Recife, na próxima semana, e Fortaleza.
A ideia, segundo aliados, é reforçar o apoio da base social do PT à presidente e enfrentar a agenda do impeachment, pautada pela oposição e por protestos como o marcado para o próximo domingo (16).
EMPRESÁRIOS
Além da reunião com movimentos sociais, a presidente também teve um encontro fechado com um grupo de 40 empresários de diferentes setores da economia.
Segundo a assessoria da Presidência, o encontro teve como objetivo ouvir as demandas e problemas enfrentados pelos setores da indústria, comércio e agropecuária.
Os ministros Nelson Barbosa (Planejamento, Armando Monteiro (Desenvolvimento) e Kátia Abreu (Agricultura) apresentaram oportunidades de negócio e detalharam o Programa de Investimento em Logística, lançado em junho deste ano
Também participaram da reunião executivos de empresas citadas na operação Lava Jato, como Carlos Fadigas, presidente da Braskem, Elmar Varjão, da OAS, e André Vital, da Odebrecht.

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