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Dilma convoca ministros do PT e pede saída para a crise

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MARINA DIAS
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após receber o vice-presidente Michel Temer em seu gabinete nesta quinta-feira (6), a presidente Dilma Rousseff convocou todos os ministros filiados ao seu partido, o PT, para discutir o agravamento da crise que acomete o país.
As duas reuniões são parte de uma operação do governo um dia após Temer admitir publicamente que a crise pode piorar e pedir ajuda aos partidos políticos para "resolver os problemas" do Brasil.
A declaração surpreendeu ministros de Dilma, que viram uma iniciativa do vice se "credenciar" como substituto da presidente.
Temer, porém, garantiu a Dilma que esse não era o seu objetivo, mas sim transferir a responsabilidade da crise para o Congresso, ou ao menos dividi-la com parlamentares da base, que têm ajudado a oposição a derrotar o governo em diversas votações importantes.
Dilma pedirá um plano de curto prazo para tentar tirar o governo da crise aguda. Ministros admitem que "pouquíssimos movimentos" são capazes disso, um deles seria uma declaração pública da presidente, que poderia pedir "desculpas pelos erros cometidos" durante sua gestão e "um voto de confiança" para colocar o país no eixo.
Além disso, a pedido do ex-presidente Lula, Dilma vai viajar para as regiões onde o PT ainda tem alguma ressonância, como o Nordeste. Pesquisa Datafolha desta quinta, porém, apontou queda da popularidade da presidente inclusive nos estados nordestinos.
O Planalto admite que "não dá mais" para relevar a crise e que é preciso "mudar tudo muito rápido". O plano, porém, ainda não está muito claro para os integrantes do governo.
PROGRAMA
No programa partidário que vai ao ar em rede aberta na televisão na noite desta quinta, o PT admite que o país vive uma crise econômica, afirma que o governo está trabalhando para contornar o problema e conclama os brasileiros a não deixar que ela se transforme em uma crise política, que "demora muito, e o sofrimento é imenso".
O PT defende que, no governo, evitou por seis anos que a crise internacional chegasse ao Brasil, que hoje o país vive "problemas passageiros na economia" e que há pessoas tentando se aproveitar disso para "criar uma crise política que poderia trazer efeitos bem piores do que uma crise econômica".
E conclama o cidadão para evitar que isso ocorra: "Hoje, há uma pessoa capaz de evitar uma grave crise política no país: você".
Em sua fala, Dilma afirma que o país está em um ano de travessia que vai levá-lo a um lugar melhor e que o governo está atualizando as bases da economia. "Vamos voltar a crescer com todo o nosso potencial, com preços em baixa e emprego em alta, saúde e educação de mais qualidade."
Repetindo o que disse em reunião com governadores, afirma que sabe sabe suportar "pressões e até injustiças" e que tem "ouvido e coração neste novo Brasil que não se acomoda".
Neste novo Brasil, nenhum governo, nenhum governante, pode se acomodar, muito menos uma pessoa como eu. Sei que muita coisa precisa melhorar. Tem muito brasileiro sofrendo, mas juntos vamos sair desta", defende.

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