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Líder do governo defende 'bandeira da paz', mas Cunha rebate

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MARIANA HAUBERT
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em uma tentativa de apaziguar os ânimos acirrados entre o governo e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que anunciou sua guinada à oposição na semana passada, o líder do governo na Casa, José Guimarães (PT-CE), afirmou que o Planalto iniciará o segundo semestre levantando a "bandeira da paz". Em resposta, Cunha afirmou que nenhuma bandeira é necessária porque ele não está empunhando um "fuzil de guerra".
Cunha rompeu com o governo na última sexta-feira (17) após ser acusado pelo lobista Julio Camargo de receber US$ 5 milhões de propina do petrolão. Desafeto do governo desde que chegou à presidência da Câmara, no início do ano, o peemedebista acusa o PT de incentivar as investigações sobre as suspeitas de que foi beneficiado pelo esquema de corrupção na Petrobras, revelado pela Operação Lava Jato.
Cunha voltou a defender que não conduzirá a Câmara de acordo com sua nova orientação política e prezará pela independência dos poderes. "O fato de eu, na minha militância política ter mudado meu alinhamento político, não significa que eu, presidente da Câmara, vou exercer a presidência com viés de qualquer natureza. [...] Não precisa estender bandeira branca porque eu não estou de fuzil de guerra. Estou em um alinhamento político diferente do que eu estava antes", disse.
Irritado, Cunha não quis comentar as acusações feitas contra ele por Camargo e nem o ingresso, no STF (Supremo Tribunal Federal) da reclamação contra o juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. Ele é o responsável pela condução das investigações da Operação Lava Jato. A reclamação foi protocolada na tarde desta segunda.
Cunha também se recusou a responder questionamentos sobre um possível afastamento da presidência da Câmara durante as investigações.
O Psol e deputados como Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e o vice-líder do governo, Sílvio Costa (PSC-PE), defendem que o peemedebista deixe o cargo.
Apesar de prometer uma atuação isenta como presidente, Cunha engatilhou a criação de duas CPIs que incomodam o governo: a que investigará irregularidades de empréstimos feitos pelo BNDES e a que investigará os fundos de pensão das estatais.
O peemedebista também deu prosseguimento ao trâmite de 11 pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff que foram protocolados na Câmara. De acordo com ele, a medida é apenas parte da burocracia e não significa que ele dará qualquer celeridade ao caso.
Em uma tentativa de distensionar o ambiente político, José Guimarães afirmou que o governo priorizará o diálogo com o Congresso para consolidar a base aliada e levantará a "bandeira da paz" no segundo semestre.
"Nesses momentos de tensão, sempre é bom estender a bandeira da paz, a bandeira branca. E nós vamos estender a bandeira mais uma vez para o Congresso, que foi isso que estabeleceu as vitórias que tivemos aqui. É um novo momento do país. O tensionamento vem das ruas, vem do Congresso, vem de todas as partes. É normal. Todo mundo tem que ter responsabilidade com o país. Ninguém quer tocar fogo no país", disse.
O petista afirmou ainda que a presidente Dilma Rousseff não discutiu o caso Cunha na reunião de coordenação política ampliada realizada no Palácio do Planalto, nesta segunda. "Foi uma reunião tranquila", disse. Apesar do tom ameno, a ruptura de Cunha com o governo preocupou a cúpula do Planalto, que vê o surgimento de uma crise institucional gravíssima.

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