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Planalto avalia 'rever posições' após críticas de Renan, diz ministro

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MARINA DIAS
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Palácio do Planalto avalia "rever posições" na condução política e econômica do país depois que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), divulgou um vídeo em que diz que o Brasil assiste a "um filme de terror sem fim" e classificou de "tacanho" o ajuste fiscal proposto pelo governo.
Após participar da reunião de coordenação política do governo Dilma Rousseff, nesta segunda-feira (20), o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, teceu elogios a Renan, a quem chamou de "um dos quadros mais destacados do processo político nacional", e disse que o Planalto precisa ter "humildade e sensibilidade" para acolher as críticas, "dialogar" com o aliado e, na medida do possível, "ver até que ponto o deve ou não rever posições".
"Aliados não estão proibidos de fazer críticas e o governo tem que ter humildade e sensibilidade para acolhê-las, analisá-las e dialogar com esse parceiro que critica determinadas posições. Nós temos que dialogar com ele [Renan] e, na medida do possível, ver até que ponto o governo deve ou não rever posições que foram por ele apontadas como equivocadas. As críticas tem que ser interpretadas como contribuição", disse Padilha.
Apesar do tom conciliador adotado em relação ao presidente do Senado, o rompimento com do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com o governo não teve o mesmo tratamento.
"A posição do presidente do Senado é a de um aliado colocando seus pontos de vista e críticas. A posição do presidente da Câmara, mesmo que individualmente, foi de alguém que se diz fora da base do governo", afirmou o ministro da Defesa, Jaques Wagner, que falou a jornalistas ao final da reunião.
O ministro da Aviação Civil, por sua vez, ponderou que o rompimento de Cunha com o Planalto após denúncia de que teria recebido US$ 5 milhões em propina no esquema da Petrobras é uma "decisão pessoal" do deputado e que isso não vai prejudicar as relações do Executivo com o Legislativo.
"O governo tem todo o interesse em aprimorar a relação com o Parlamento", disse Padilha.
A posição do ministro é a mesma de seu partido, o PMDB.
O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, entoou o discurso de que as votações não serão prejudicadas no Congresso. "Não acho que há um risco das iniciativas do governo não serem aprovadas [no segundo semestre]. Elas vão ser aperfeiçoadas pelo Legislativo, como acontece em toda democracia".
MUDANÇA NA ARTICULAÇÃO
Mesmo com a presença de Jaques Wagner durante as declarações oficiais -fato pouco comum após as reuniões de coordenação política-, Padilha afirmou que nenhuma troca na condução da articulação política do governo foi discutida com a presidente Dilma.
Aliados defendem que Wagner assuma a Casa Civil, no lugar de Aloizio Mercadante, para melhorar a interlocução com o Congresso.
"A articulação política é conduzida pelo vice-presidente Michel Temer e ninguém tem mais qualificação que ele para isso. Se houvesse qualquer mudança na articulação política nesse momento seria prejudicial para o Brasil. Temer é um fiador [para o governo]", disse Padilha. "Sobre trocas na Casa Civil, isso diz respeito à presidente Dilma", completou.

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