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Órgão da Aeronáutica descarta ataque de MST a avião

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LULY ZONTA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A hipótese de que o avião que caiu após sobrevoar uma área invadida por famílias sem-terra em Tumiritinga, no nordeste de Minas Gerais, na última terça-feira (14), tenha sido abatido por tiros pelos integrantes do movimento foi descartada pelo Seripa (Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) do Rio de Janeiro, órgão ligado à Aeronáutica.
Morreram na queda o prefeito do município de Central de Minas, Genil Mata da Cruz, 39, (PP), e um funcionário dele, Douglas Rafael da Silva, 29. Depois do acidente, as 200 famílias deixaram a área nos dois dias seguintes.
O advogado do prefeito, Siranildes Eleotério Gomes, havia afirmado após a morte de Cruz que esperava que a polícia apurasse se a aeronave havia sido "abatida de forma criminosa" pelo grupo, que é ligado ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).
Segundo ele, Genil da Cruz estava sobrevoando o local para fazer fotos do terreno e anexar ao processo judicial que movia contra o grupo. A fazenda pertencia ao prefeito, conforme o advogado, e havia sido comprada há dois anos da empresa Fibria Celulose.
As investigações ainda não foram concluídas, mas a equipe do Seripa do Rio, que esteve no local para averiguar o acidente, comunicou ao órgão superior, o Cenipa (Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), que a queda da aeronave não fora provocada e que não há marcas de tiros nos destroços do monomotor. Os laudos não têm prazo para serem divulgados.
Já os sem-terra, em nota divulgada pelo MST no dia seguinte ao acidente, dizem que o monomotor do prefeito e uma outra aeronave "estavam dando rasantes" sobre o acampamento, jogando sacos plásticos carregados de combustível sobre as barracas onde as famílias estão acampadas há cerca de dez dias.
A ação durou cerca de uma hora, quando um dos aviões onde estava o prefeito perdeu o controle e caiu. A outra aeronave teria deixado o local em seguida.
Os sem-terra dizem ainda que, na última sexta (10), o local foi invadido por homens que usaram fogos de artifício contra o grupo.
Segundo Enio Bohnenberger, coordenador estadual do MST, os sem-terra deslocaram-se para outros acampamentos da região. A invasão começou no dia 5, com 300 famílias, mas desde então, segundo ele, "começaram os ataques e ameaças" diz o MST, partiram de representantes do dono da propriedade.
Bohnenberger diz que o prefeito não tinha a documentação das terras porque ela ainda não havia sido quitada integralmente.
Segundo o advogado da vítima, já havia sido protocolado um pedido de reintegração de posse na Vara de Conflitos Agrários de Minas Gerais.
O acidente também está sendo investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais, que realizou perícia no local e deve divulgar seu laudo nesta semana.

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