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Pagamentos de lobista preso a Dirceu são suspeitos, diz Moro

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FLÁVIO FERREIRA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na decisão em que decretou a prisão do empresário Milton Pascowitch na 13ª fase da operação Lava Jato, o juiz federal Sergio Moro apontou que os pagamentos feitos por Pascowitch à empresa de consultoria do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu em 2012 são suspeitos, uma vez que naquele ano Dirceu enfrentava o processo do mensalão.
"Causa certa surpresa que R$ 1.157.954,70 tenham sido pagos durante o ano de 2012, quando o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgava, na Ação Penal 470, a acusação formulada pelo Procurador Geral da República contra José Dirceu, o que coloca em dúvida se poderiam ter por causa prestação de serviços de consultoria", escreveu o juiz.
Outra justificativa do juiz para decretar a prisão foi a de que as condutas criminosas de Pascowitch podem ter beneficiado políticos e partidos.
De acordo com o magistrado, "a gravidade concreta da conduta de Milton Pascowitch é ainda mais especial, pois há indícios de que propinas também foram pagas, por seu intermédio, para agentes políticos e para financiamento político, o que compromete a integridade do sistema político e o regular funcionamento da democracia. O mundo do crime não pode contaminar o sistema político-partidário".
Moro apontou que a prisão de Pascowitch é necessária porque há provas de que ele mantém contas no exterior, que já foram usadas para pagar propina ao ex-gerente de Engenharia da Petrobras Pedro Barusco, o que permitiria que ele continuasse a cometer crimes sem a possibilidade de fiscalização das autoridades brasileiras.
As contas no exterior também mostram que há "risco concreto de fuga", pois com os recursos nela depositados Pascowitch teria meios para deixar o país.
O juiz federal também determinou o bloqueio de bens do empresário.

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