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ESTELITA HASS CARAZZAI E FLÁVIO FERREIRA, ENVIADO ESPECIAL
CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Pela primeira vez na Operação Lava Jato, quatro políticos foram acusados formalmente de desvio de dinheiro público da Petrobras.
Os ex-deputados André Vargas (ex-PT-PR, sem partido), Luiz Argôlo (SD-BA) e Pedro Corrêa (PP-PE), além de sua filha, a também ex-deputada Aline Corrêa (PP-SP), foram denunciados à Justiça nesta quinta-feira (14), pelo Ministério Público Federal no Paraná.
Eles são acusados de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e peculato.
"Hoje é um dia simbólico", declarou o procurador Deltan Dallagnol. Segundo ele, os políticos são o quarto núcleo responsabilizado pelos desvios na Petrobras (depois de empresários, agentes públicos e operadores).
Além dos ex-deputados, outras nove pessoas também foram denunciadas por participação nos crimes –entre elas, o doleiro Alberto Youssef, seu funcionário Rafael Ângulo, o publicitário Ricardo Hoffmann, dois irmãos de Vargas, Milton e Leon Vargas, e o filho de Pedro Corrêa, Fábio Corrêa.
A Justiça ainda precisa acolher ou não a denúncia do MPF. Só depois disso é que eles passam a ser considerados réus.
Sem mandato, Vargas, Argôlo e Pedro Corrêa estão presos preventivamente na Polícia Federal em Curitiba há pouco mais de um mês, onde dividem uma cela. Todos negam que tenham cometido crimes.
DENÚNCIAS
As acusações contra os ex-deputados envolvem, além de propinas recebidas do esquema na Petrobras, a contratação de funcionários fantasmas na Câmara, o desvio de dinheiro em contratos de publicidade e até o uso de passagens aéreas pagas pela Casa para encontros com Youssef.
Vargas, por exemplo, que foi vice-presidente da Câmara, foi denunciado por ter recebido R$ 1,1 milhão em propina de contratos de publicidade da agência Borghi Lowe com a Caixa Econômica Federal e o Ministério da Saúde.
Os contratos foram feitos entre 2008 e 2014 e somavam cerca de R$ 1 bilhão. Segundo o MPF, a propina foi repassada a empresas fantasmas controladas por Vargas e seus irmãos Leon e Milton. Nenhuma delas tinha atividades reais, de acordo com os procuradores.
O ex-deputado, assim como seus irmãos e Hoffmann (que era diretor da Borghi Lowe), foi denunciado por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.
A denúncia contra Pedro Corrêa e sua filha Aline envolve, além de repasses do esquema da Petrobras para o ex-deputado (que era presidente do PP e distribuía a propina aos membros do partido), desvios de dinheiro na própria Câmara.
Os dois nomearam uma funcionária fantasma e exigiam que outra servidora repassasse parte de seu salário ao gabinete, por fora.
Segundo o MPF, R$ 729 mil foram desviados da Câmara por pai e filha. A funcionária fantasma, que era empregada doméstica de um assessor de Corrêa, foi nomeada sem seu conhecimento tanto para o gabinete do pai, entre 2003 e 2006, quanto para o da filha, entre 2007 e 2012. Já a outra servidora, que repassava parte do salário aos deputados, trabalhou apenas no gabinete de Aline e efetuou os repasses até janeiro de 2015.
Por fim, Argôlo, que tem 34 anos e era considerado uma promessa na política baiana, teve seu relacionamento com Youssef como alvo –já que ele criou uma relação de amizade com o doleiro e recebeu favores seus mesmo após se desfiliar do PP, em 2013 (partido para o qual o doleiro operava).
Mensagens trocadas às centenas entre ambos e relevadas ainda no ano passado mostram que eles se tratavam como "amor" e "bebê".
De acordo com o procurador Paulo Galvão, Argôlo virou "quase um sócio" de Youssef, foi favorecido no repasse da propina entre os parlamentares do PP (quando era do partido, entre 2011 e 2013) e ainda agiu para favorecer os negócios do doleiro, que havia comprado um hotel em Porto Seguro.
"Ele [Argôlo] recebeu dinheiro para estar à disposição do Alberto Youssef quando ele precisasse. O doleiro pagava, mas disse que iria cobrar a conta", afirmou Galvão.
Segundo o procurador, Argôlo tentou viabilizar, por exemplo, um empréstimo do Banco do Nordeste ao hotel de Youssef. Uma reunião chegou a ser agendada entre funcionários do doleiro e o banco no ano passado, por intervenção do então deputado.
Na outra ponta, Youssef pagou móveis, gado, um helicóptero e até cadeiras de roda para Argôlo, além de fazer entregas em dinheiro. Os valores recebidos como propina pelo baiano somam R$ 1,6 milhão, de acordo com o MPF.
O ex-deputado também usou passagens pagas pela Câmara para visitar o doleiro em São Paulo. De 78 visitas feitas ao escritório de Youssef, 40 foram pagas com dinheiro do contribuinte, num total de R$ 55 mil.
"O valor não é tão expressivo, mas moralmente é muito relevante", afirma Galvão. "É um deputado que utiliza recursos públicos sequer em interesse próprio, mas em interesse ilícito."
Os procuradores deixaram claro que muitos fatos envolvendo os ex-parlamentares ainda são alvo de investigação da força-tarefa da Lava Jato e que novas acusações serão feitas. As três denúncias foram protocoladas na tarde desta quinta (14) na Justiça Federal no Paraná.

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