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Renan diz não ter 'nada a temer' e promete encaminhar sigilos ao STF

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GABRIELA GUERREIRO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Ao afirmar nesta quarta-feira (14) não ter "nada a temer" em relação à Operação Lava Jato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que vai encaminhar a quebra de todos os seus sigilos para o ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal). Renan afirmou ter autorizado seu advogado a enviar os sigilos bancário, telefônico e fiscal ao ministro antes que Teori os solicite formalmente ao parlamentar.
"Se há alguém que quer esclarecer esses fatos, sou eu. Os homens públicos não podem se recusar a esclarecer fatos. Você tem homens públicos que são acusados injustamente, outros justamente. A diferença exatamente está nas respostas. Existem aqueles que têm o que dizer e existem aqueles que não têm o que dizer. Com relação a mim, toda explicação será dada à luz do dia", afirmou Renan.
A Polícia Federal pediu nesta terça (13) ao STF quebras de sigilos bancário e fiscal em inquéritos abertos para investigar Renan, o deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE) e o ex-deputado federal João Alberto Pizzolatti Junior. A PGR (Procuradoria-Geral da República) entrou com as mesmas solicitações em relação ao senador Fernando Collor (PTB-AL).
Relator do caso no Supremo, o ministro Teori Zavascki ainda não deu seu parecer sobre os pedidos da PF. Ainda assim, Renan disse que "nenhum homem público é proibido de ser investigado" e está disposto a dar "todas as informações" necessárias ao processo. O peemedebista disse que não ficou incomodado com o pedido de sua quebra de sigilo por ser uma "oportunidade" para dar respostas à Polícia Federal.
"Eu não tenho absolutamente nada a temer. As minhas relações com o poder público sempre foram institucionais. Portanto, eu não tenho o que esconder. Tenho feito tudo à luz do dia", afirmou Renan.
Em um de seus depoimentos, o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa afirmou que Aníbal Gomes era o interlocutor de Renan junto ao esquema.
Disse ainda que parte do pagamento de propina nas obras da Petrobras foi decidida em uma reunião na casa de Renan Calheiros, em Brasília, com a presença de integrantes da cúpula do PMDB.
Em relação a Collor, as acusações partiram do doleiro Alberto Youssef. Ele afirmou ter feito pagamentos ao ex-presidente, atendendo a um pedido de Pedro Paulo Loni, que foi ministro de Estado durante o governo Collor.
IMPEACHMENT
Ao contrário de Collor, Renan evitou criticar a conduta do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nas investigações da Lava Jato. Questionado se Janot estaria "exorbitando" suas funções, o senador desconversou e repetiu sua disposição em encaminhar as quebras de sigilo a Teori.
Collor protocolou no Senado quatro pedidos de investigação de Janot por crimes de responsabilidade. Se forem acolhidos, podem resultar em um processo de impeachment contra o procurador.
O senador afirma que Janot teria agido "sem critérios" na abertura de processos da Lava Jato, selecionando "como bem entende" os que estão sendo investigados pelo STF. Collor também acusa o procurador de abuso de poder por ter requerido busca e apreensão no gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) -incluído ao lado de Renan entre os políticos investigados na Lava Jato.
Em outro pedido, o ex-presidente da República afirma que Janot fez "autopromoção" por ter transformado sua segurança pessoal em um "espetáculo de mídia" durante visita a Minas -quando recebeu manifestantes contrários ao governo federal. Collor ainda acusa Janot de desperdício de dinheiro público com o uso de passagens e diárias de forma "abusiva" por membros do Ministério Público.

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