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Tratar disputa entre Procuradoria e PF como briga de egos é 'injusto' , diz Cardozo

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MÁRCIO FALCÃO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) afirmou que é "injusto" classificar de briga de egos a disputa entre as cúpulas da Polícia Federal e do Ministério Público Federal sobre os rumos das investigações de políticos suspeitos de participação no esquema de corrupção da Petrobras.
Sem dar detalhes, Cardozo disse que conversou com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, para negociar "ajustes" sobre a condução dos inquéritos. Segundo ele, a ideia é acertar "quem faz o que".
O ministro negou mal-estar entre as instituições e sustentou que sempre atuaram em harmonia nas apurações do caso.
"Eu acho que é injusto fazer qualquer imputação desta natureza [briga de egos] às duas instituições. Eu tive vários contatos com o Janot, tanto ontem quanto hoje, e tenho dialogado com o diretor-geral da PF sobre esta questão", disse o ministro.
"O diagnóstico que faço é simples: houve momento que o prazo inicial para cumprimento de diligências está sendo concluído, então os inquéritos que tratam das pessoas com foro privilegiado foram encaminhados para análise dos órgãos respectivos. Nesse momento, se busca fazer ajuste de atribuições para que a apuração continue com a mesma harmonia", completou.
A crise envolvendo as duas instituições ganhou corpo nesta semana quando Janot pediu para a PF suspender a tomada de depoimentos da Lava Jato. A PF disse que só faria com decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).
Ao pedir a suspensão de parte das apurações, Janot afirmou ao ministro Teori Zavascki, relator do caso no Supremo, que são "atribuições exclusivas" da PGR (Procurador-Geral da República) "o juízo sobre a conveniência, a oportunidade ou a necessidade de diligências tendentes à convicção acusatória".
A PF rebateu despacho do procurador-geral da República, que levou à paralisação de depoimentos de sete inquéritos que estão relacionados a 40 investigados entre políticos e operadores do esquema, como os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.
A PF afirmou que todos os depoimentos tomados tiveram representantes do Ministério Público. De acordo com a entidade, são mais de cem pessoas para serem ouvidas nos inquéritos.
"Entre as determinações do STF, não consta uma ordem de preferência a ser observada para os depoimentos. Deve-se ressaltar, inclusive, que todas as oitivas realizadas até o momento contaram com a participação de membros do MPF", diz a nota da PF.




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