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Ato em São Paulo começa com menos manifestantes que protesto anterior

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Estou triste, pensei que ia bombar". O lamento é da vendedora Luisa Belmont, na loja dentro da estação Consolação do metrô em São Paulo, repleta de produtos em verde-amarelo, mas praticamente sem clientes.
A presença de manifestantes no início do ato contra o governo Dilma Rousseff deste domingo (13) é nitidamente menor que o protesto anterior, de 15 de março.
Nas estações de metrô da região da avenida Paulista, ao contrário da "invasão verde-amarela" de um mês atrás, os manifestantes eram minoria na plataforma, quase vazia por volta das 12h.
Na avenida, a presença menor de manifestantes também era óbvia. Por volta das 13h30, era possível circular sem maiores dificuldades nas imediações do Masp. No protesto anterior, era preciso se espremer e ter paciência ao passar pela área.
"Da última vez, tivemos de trazer mais bonés. Hoje, reforçamos as mercadorias, mas o movimento está muito fraco, não vendi quase nada", disse Belmont.
Uma das novidades da loja para hoje é um megafone que, em som alto, toca o lema "Eu sou brasileiro/com muito orgulho/com muito amor". Adornado com a bandeira do Brasil, mas fabricado na China, a engenhoca corria o risco de encalhar. "Não vendi nenhum."
BOLSONARO
Um dos únicos políticos presentes no protesto contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) em São Paulo, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) diz que "é natural" que o movimento anti-Dilma seja "ascendente" e tenha a adesão de menos pessoas e menos lideranças políticas. Segundo ele, os políticos "têm medo de estar nesse movimento".
"Sou bem tratado pelo meu passado e Aécio deveria estar aqui", disse o deputado, em referência ao senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB. O tucano tem feito vídeos de convocação aos protestos, mas não compareceu em nenhuma das duas manifestações.
Militante do PSDB, o administrador Eduardo Marinho, 47, foi com uma camiseta do partido à avenida Paulista. Para ele, um dos poucos militantes identificados no local, os tucanos deveriam "absorver mais" as manifestações, principalmente o senador Aécio Neves (PSDB-MG).
Ele afirma que o que prejudica a presença partidária maciça no protesto de hoje são grupos radicais. "Tem gente a favor da intervenção militar, mas felizmente é a minoria. Sou a favor da cassação da campanha de Dilma, que já se provou que recebeu propina", disse.
MILITARES
Lideranças do SOS Forças Armadas, presentes na Paulista, cobram intervenção militar e dizem que nunca houve ditadura no Brasil. "Se tivesse tido ditadura, a Dilma não era presidente, ela estava morta. Porque na ditadura, quem é contra o governo não é exilado, é morto no paredão", disse um dos organizadores. Ele foi muito aplaudido pelo público presente.
Tocando hinos pátrios e "Aquarela do Brasil", o carro de som da União Nacionalista Democrática (UND) homenageou o ex-agente do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) Carlos Alberto Augusto, investigado pela Comissão da Verdade paulista por envolvimento em desaparecimentos e torturas.
"Vovô Metralha, obrigado por tudo", dizia um cartaz com a foto de Augusto no alto do carro. Ele participou, em 1973, da mais violenta chacina do período militar, massacre da chácara São Bento, em Pernambuco, quando seis militantes de esquerda foram executados.
"Somos contra o crime organizado do Estado", disse Augusto, vestido de gravata borboleta e capacete usado na Revolta Constitucionalista de 1932 herdado do avô. "Apoiamos quem tiver autoridade para fazer isso, pode ser o juiz Sergio Moro, o [presidente do STF, Ricardo] Lewandowski ou os militares."
Durante a breve conversa com a reportagem, Augusto, que se aposentou como delegado da Polícia Civil paulista no ano passado e também é conhecido como "Carteira Preta", atendeu a vários pedidos para fotos. Um dos admiradores portavam o cartaz: "Temos nosso herói. Inimigo número 1 da direita bandida".
PARTIDO
Um grupo recolhia assinaturas para a criação do Partido Militar Brasileiro. "Não apoiamos qualquer movimento intervencionista ou que peça a volta da ditadura," afirma o consultor de TI Wagner Pisani, 54. "Se nós quiséssemos a volta da ditadura, não estaríamos tentando criar um partido. Temos por princípio os valores democráticos."
Outro militante do PMB, Sérgio Weber, 49, administrador, afirma que o partido juntará civis e militares para criar "o primeiro partido de direita do Brasil, pra fazer frente a toda essa esquerda". Os militantes também colhem assinaturas para a abertura de uma CPI no BNDES.

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