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Política

Líder da CNBB pede consenso para fim de crise no governo

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DIEGO ZERBATO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Raymundo Damasceno, disse nesta quarta-feira (25) ser necessário um consenso entre o governo da presidente Dilma Rousseff e a oposição para dar fim à crise política no Brasil.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele criticou a oposição pela falta de ações propositivas e os dois lados por falta de diálogo. "O bem geral do povo está acima das divergências políticas, dos interesses de partidos, neste momento", afirmou.
"Tem que haver oposição, claro que é natural, mas agora nós temos também que ter atitudes propositivas para que, com um diálogo com o Congresso Nacional e o Executivo, possamos buscar uma solução para esta crise difícil que, se mal administrada, pode criar problemas para o futuro e até ameaçar a estabilidade democrática."
Para o cardeal, temas como a reforma política e a reforma tributária não avançam devido à briga política entre governistas e opositores em torno dos casos de corrupção de ambos os lados.
"Não podemos reduzir o problema do país à corrupção e não podemos reduzir os problemas a divergências políticas. O país está ciente disso. O que nós precisamos é de um grande espírito cívico para poder sair dessa situação difícil pela qual passamos."
Damasceno reiterou a posição da CNBB contra o impeachment de Dilma por considerar que ainda não existem provas contra a presidente, embora tenha considerado justas as manifestações do dia 15.
"É legítimo que essas pessoas se manifestem, claro que não degenerando essas manifestações em agressão a pessoas, destruição do patrimônio público e particular".
PARTICIPAÇÃO
Questionado sobre a contribuição da CNBB para o debate político, o cardeal citou como exemplo a proposta de reforma política apresentada ao Congresso pela entidade e disse planejar reuniões com representantes dos três Poderes nos próximos meses.
Sobre a ascensão da bancada evangélica, Damasceno disse que a CNBB atuará contra a legalização do aborto por ser uma posição coincidente com a Igreja Católica, embora discorde do tom usado pelos evangélicos e da imposição da agenda moral.
"Não podemos fazer delas as únicas bandeiras de nosso país", afirmou.




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