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Tesoureiro do PT é levado à PF para esclarecer doações feitas ao partido

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CURITIBA, PR, BRASÍLIA, DF, SÃO PAULO, SP, E SALVADOR, BA - O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi levado a depor na Polícia Federal nesta quinta-feira (5) em uma nova fase da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras.

Com Vaccari, a polícia espera obter informações sobre doações ao partido por empresas que mantinham contrato com a Petrobras. "Nem sempre essas doações passam pelo caminho legal", afirmou o procurador Carlos Fernando Lima.

Segundo o delegado Igor Romário de Paula, Vaccari foi conduzido para esclarecer o "pedido de doações legais e ilegais" ao PT, feito por ele tanto a pessoas que tinham contratos com a Petrobras quanto a quem não tinha. Vaccari chegou à sede da Superintendência da PF em São Paulo, na Lapa, por volta das 9h30 e deixou o local de táxi, às 12h30, acompanhado por um advogado.

As informações sobre os pedidos partiram de colaboradores da investigação, como o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, que firmou acordo de colaboração premiada com a Justiça.

A grande dificuldade da Polícia Federal, agora, será identificar essas doações ilegais, feitas na maioria das vezes com dinheiro vivo, segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.
"Isso é muito difícil de rastrear. Essa verificação é que será feita a partir de hoje", afirmou.

Além dos depoimentos dos colaboradores, a investigação ira atrás de extratos da movimentação bancária dos operadores e empresários envolvidos, além de registros de visitas para a entrega do dinheiro.

"A prova, basicamente, será indiciária", afirma Lima.

Essa nona fase da Jato tem como foco o pagamento de propinas na diretoria de Serviços da Petrobras e na BR Distribuidora. A PF afirma que 11 novos operadores, que intermediavam o pagamento de propina a agentes públicos das estatais, foram identificados.

"São pessoas que têm muita ligação com agentes públicos", declarou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que participa das investigações. Ele não quis dizer quais são os outros agentes envolvidos.

Ao todo, há 25 empresas envolvidas, sediadas em São Paulo, Bahia, Santa Catarina e Rio de Janeiro –a maioria de fachada, de acordo com as investigações.

"Esta fase é fruto da análise de documentos e contratos apreendidos anteriormente pela PF. Também contribuíram para esta nova etapa da operação as informações oriundas da colaboração de um dos investigados, além da denúncia apresentada por uma ex-funcionária de uma das empresas investigadas", informou a Polícia Federal.

As empresas de fachada mantinham contratos envolvendo a diretoria de Serviços, comandada pelo ex-diretor Renato Duque, que já foi preso durante a Lava Jato. Não houve mandados contra ele.


BR DISTRIBUIDORA

O outro núcleo da operação envolve a empresa Arxo, sediada em Piçarras, no litoral norte de Santa Catarina, que prestava serviços à BR Distribuidora. Ela produz tanques de combustível.

Dois de seus executivos foram presos temporariamente, sob suspeita de pagamento de propina à estatal. Há outro no exterior, mas deve voltar hoje ao Brasil. O nome dos executivos não foi revelado. Eles deverão ser levados ainda hoje para Curitiba.

Um grande volume de dinheiro foi encontrado e apreendido nesta empresa. A PF ainda não sabe qual é o valor.

No final do ano passado, a Arxo fechou um contrato no valor de R$ 85 milhões para produzir 80 CTAs (Caminhões Tanques de Abastecimento de Aeronaves) com o objetivo de equipar e renovar a frota da Petrobras Distribuidora.

Um dos operadores do esquema, que vive no Rio de Janeiro, teve a prisão preventiva decretada. Esse operador, cujo nome não foi revelado, é o elo entre os dois núcleos da nona fase: operava tanto na diretoria de Serviços quanto na BR Distribuidora. Até as 10h de hoje, ele ainda não havia sido detido.

GDK

Foram emitidos nesta quinta 62 mandados –um de prisão preventiva, no Rio, três de temporária, em Santa Catarina, 18 conduções coercitivas e 40 de busca e apreensão. A ação ocorreu ao mesmo tempo em São Paulo, Rio, Bahia e Santa Catarina.

A PF também fez busca e apreensão na sede da GDK, empresa de engenharia fornecedora da Petrobras –seu principal cliente– que entrou em recuperação judicial.

A GDK constrói dutos e instalações industriais. Em 2005 a direção da empresa foi acusada de dar um Land Rover, avaliado em R$ 73,5 mil, para o então secretário-geral do PT, Silvio Pereira. O episódio foi investigado pela CPI dos Correios.

O empresário Milton Pascowitch é outro alvo de mandado de condução coercitiva em São Paulo. Ele será ouvido sobre movimentações de dinheiro no exterior.


CONFIRA OS MANDADOS POR ESTADO

SP - 10 mandados de busca e 2 de condução coercitiva (todos na capital)

RJ - 12 mandados de busca, 8 de condução coercitiva e 1 de prisão preventiva (todos na capital)

BA - 2 mandados de busca e 1 de condução coercitiva (todos na capital)
SC - 16 mandados de busca, 7 de condução coercitiva e 3 de prisão temporária nas seguintes cidades:

- Itajaí: 8 mandados de busca, 5 de condução coercitiva e 2 de prisão temporária
- Balneário Camboriú: 3 mandados de busca, 1 de prisão temporária e 1 de condução coercitiva
- Piçarras: 2 mandados de busca
- Navegantes: 1 mandado de busca e 1 mandado de condução coercitiva
- Penha: 1 mandado de busca
- Palmitos: 1 mandado de busca

Esta fase da operação foi batizada de "My Way". É com o título desta canção de Frank Sinatra que o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, que colabora com as investigações, se refere a Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal.

Fases anteriores da Lava Jato resultaram nas prisões dos ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Nestor Cerveró, e de altos executivos de importantes empreiteiras do país.


POSTO DE COMBUSTÍVEL

Com início em um posto de gasolina –de onde surgiu seu nome–, a Operação Lava Jato, deflagrada em março de 2014 investiga um grande esquema de lavagem e desvio de dinheiro envolvendo a Petrobras, grandes empreiteiras do país e políticos.

Uma das primeiras prisões foi a do doleiro Alberto Youssef, 47. Criado em Londrina, foi vendedor de pastel e contrabandista de eletrônicos do Paraguai antes de aprender o ofício de doleiro. Foi preso nove vezes. Uma delas, pela participação no chamado caso Banestado, maior escândalo já investigado no Brasil sobre remessas ilegais de dinheiro.

Três dias depois, houve a prisão de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras. Costa era investigado pelo Ministério Público Federal por supostas irregularidades na compra pela Petrobras da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006. Ele passou a ser investigado pela PF após ganhar, em março de 2013, um carro de luxo de Youssef.

Tanto Costa quanto Youssef assinaram com o Ministério Público acordos de delação premiada para explicar detalhes do esquema e receber, em contrapartida, alívio das penas.

Em seu depoimento, o ex-diretor da Petrobras afirmou que havia um esquema de pagamento de propina em obras da estatal, e que o dinheiro abastecia o caixa de partidos como PT, PMDB e PP.

No final de outubro, Julio Camargo, da empresa Toyo-Setal, fechou acordo de delação premiada com procuradores. É o primeiro executivo a fazê-lo. Uma semana depois, outro executivo da empresa, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, também assinou uma delação.

No dia 14 de novembro, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Lava Jato, que envolveu buscas em grandes empreiteiras como a Camargo Corrêa, OAS e Odebrecht, além de outras sete companhias.

As empresas envolvidas têm contratos de R$ 59 bilhões com a Petrobras.

As denúncias oferecidas pelo Ministério Público Federal foram acatadas e a Justiça Federal tornou réus 39 pessoas.

O juiz federal do Paraná Sérgio Moro é responsável pelas ações penais decorrentes da Lava Jato nos casos que não envolvem políticos –que possuem foro privilegiado e, por isso, são investigados pelo Supremo Tribunal Federal. O magistrado é referência no julgamento de crimes financeiros.

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