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Governo não reconhece Cunha como desafeto, dizem ministros

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RANIER BRAGON E MARIANA HAUBERT
BRASÍLIA, DF - Um dia após sofrer a primeira derrota do segundo governo Dilma, ministros do Planalto deram início à estratégia de restabelecer a relação com o novo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ao amenizar o racha provocado pela disputa na base aliada afirmando que o peemedebista não é um "desafeto do governo".
Os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Pepe Vargas (Relações Institucionais) minimizaram a vitória de Cunha em primeiro turno sobre o candidato do PT, Arlindo Chinaglia (SP), neste domingo. Eles afirmaram não acreditar que ele fará uma gestão de oposição ao governo.
"Não reconhecemos essa expressão [Cunha como 'desafeto' do Planalto], ele é um parlamentar destacado, foi líder de sua bancada, soube negociar matérias importantes e todos os nosso projetos mais importantes foram aprovados. A disputa parlamentar faz parte da democracia, inclusive dentro da base", afirmou Mercadante.
Considerado um aliado pouco confiável, já que liderou rebelião contra Dilma em 2014, Cunha derrotou o candidato do PT, Arlindo Chinaglia (SP), nome bancado pelo Planalto, por 267 votos contra 136.
Responsável pela articulação política entre o governo e o Congresso, Vargas atribuiu a tese sobre Cunha à imprensa. "O Eduardo Cunha não é um desafeto do governo. Em momento algum vocês viram qualquer pessoa do governo dizendo que ele é um desafeto. A tese de que ele é um desafeto para o governo é da especulação normal da cobertura jornalística", disse.
Os ministros estiveram na Câmara na tarde desta segunda para participar da sessão de abertura do ano legislativo. Mercadante levou a mensagem presidencial ao Congresso.
Para Vargas, Cunha tem opiniões divergentes do governo em alguns momentos mas isso não o tornará um oposicionista. O ministro avaliou ainda que, apesar da disputa, não há um acirramento na base aliada.
"Quando ele tem uma opinião convicta sobre uma coisa e o governo tem uma opinião distinta da dele, isso não quer dizer que ele tem que ser submisso ao governo. Ele sempre atuou dessa forma. E ele vai continuar atuando assim. ", disse Vargas na saída da Câmara.

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