Política

Acareação confirma grampo na Alep

Da Redação ·

A acareação entre o perito do Instituto de Criminalística do Paraná Rubens Alexandre de Faria e o perito Antônio Carlos Walger, da empresa Embrasil, ocorrida na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Espionagens, evidenciou que o equipamento encontrado na Assembleia Legislativa é um grampo clássico e poderia ser utilizado de maneira criminosa. O presidente da CPI, deputado Marcelo Rangel (PPS), afirmou que a Casa estava sendo espionada. "Houve crime na Assembleia Legislativa", afirmou.

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Segundo o perito Faria, que também é professor da Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR), embora afirmando não ter acompanhado o levantamento de informações no local onde o equipamento foi encontrado – na sala de reuniões da Presidência, localizada ao lado do Plenário – os testes em laboratório não reproduziram a situação de escuta, apesar do equipamento ter condições de captar conversas. "Teoricamente o equipamento localizado no PABX telefônico pode transmitir. É um grampo clássico. Porém, não consegui reproduzir essa situação em laboratório. Mas é um equipamento que poderia sim ser utilizado para o dolo", afirmou.

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Já Walger voltou a afirmar que "existia grampo na Assembleia". Ao ser questionado pela imprensa sobre as conversas que teriam sido gravadas disse que "não foram localizadas". De acordo com Walger, o transmissor podia alcançar uma distância de até 100 metros. "Provavelmente, as gravações aconteciam no estacionamento localizado nas proximidades da central telefônica", sugeriu.

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Revelações - O representante da Embrasil, empresa contratada pela Mesa Executiva para localizar as escutas telefônicas nesta Casa de Leis, citou em diversos momentos o relatório que entregou à CPI. Recordou, inclusive, que fez uma gravação usando o sistema de grampo, que está anexada ao relatório. "No local havia sinais evidentes de que outros grampos existiram ali e foram retirados", frisou. Walger também citou o fato de ter encontrado um equipamento – que poderia ser usado como bloqueador e receptor – numa sala localizada no quarto andar, onde funcionava anteriormente a diretoria administrativa. "Encontrei esse equipamento junto com CDs e próximo de uma máquina que picotava papel. Num dos CDs estava escrito ‘senhas’. Tudo foi encaminhado para a polícia", explicou. Neste momento, o perito do Instituto de Criminalística, aproveitou para reafirmar a importância da presença do especialista no local. "Desconhecia essa situação relatada agora por Walger", declarou.

A informação surpreendeu o deputado Marcelo Rangel que decidiu, com a aprovação dos demais parlamentares que participaram da reunião, promover novas acareações. "Vamos convocar novamente os diretores e outras pessoas envolvidas. Precisamos aprofundar essa investigação", afirmou o presidente da CPI. A agenda das próximas reuniões ainda não foi divulgada (com Bonde/ALEP).